Portugal registou 84 642 nascimentos em 2024, menos cerca de 25 mil do que em 2004, ano em que nasceram 109 294 crianças. Os dados do INE, disponíveis no sistema de geomarketing Sales Index da Marktest e na aplicação web Municípios Online, revelam uma redução de 24% da taxa bruta de natalidade nas últimas duas décadas.
A taxa bruta de natalidade passou de 10,7 nascimentos por mil habitantes, em 2004, para 7,9‰ em 2024. A evolução confirma uma quebra nacional dos nascimentos e evidencia desigualdades territoriais, com maior concentração da renovação geracional nas áreas metropolitanas e em alguns concelhos do Algarve.
No Alentejo, a tendência acompanha o perfil demográfico de vários territórios do interior, onde a natalidade permanece baixa e onde o envelhecimento populacional e a perda de residentes colocam desafios acrescidos à renovação geracional.
Alentejo entre os territórios pressionados pela baixa natalidade
A análise territorial mostra que os concelhos do interior Norte, Centro e Alentejo continuam entre os territórios com níveis mais reduzidos de natalidade. Estes municípios integram o grupo identificado como interior envelhecido, marcado por baixos níveis de nascimentos ao longo de todo o período analisado.
O fenómeno reflete a perda de população, o envelhecimento demográfico e a menor presença de famílias jovens em vários concelhos. Esta realidade contrasta com a observada na Área Metropolitana de Lisboa e em alguns municípios do Algarve, onde as taxas de natalidade continuam acima da média nacional.
Em 2024, Amadora, Odivelas, Loures, Sintra, Seixal, Moita, Albufeira e Loulé registaram mais de 10 nascimentos por mil habitantes. No extremo oposto surgem concelhos do interior como Carrazeda de Ansiães, Pinhel, Alcoutim, Almeida e Sabugal, com taxas entre 2 e 3 nascimentos por mil habitantes.
Alandroal e Odemira com evolução positiva
Apesar da quebra nacional, alguns municípios registaram uma evolução positiva nos indicadores de natalidade ao longo das últimas duas décadas. Entre eles estão Odemira e Alandroal, ambos no Alentejo, que surgem entre os concelhos que conseguiram reforçar os seus indicadores no período analisado.
Também Odivelas, Amadora, Monchique e Vila Velha de Ródão apresentaram evoluções positivas. Em sentido contrário, Barrancos surge entre os concelhos com quebras mais expressivas, juntamente com Santa Cruz, na Madeira, Ribeira Grande, Porto Santo e Sesimbra.
Estes dados mostram que o comportamento da natalidade não é uniforme no território nacional. Mesmo em regiões marcadas por envelhecimento e perda populacional, há municípios com trajetórias distintas, influenciadas por dinâmicas residenciais, económicas e sociais.
Quatro perfis territoriais no país
A análise dos últimos 20 anos permite identificar quatro perfis territoriais. O primeiro corresponde aos concelhos metropolitanos e suburbanos jovens, com taxas de natalidade acima da média, associados à concentração de famílias jovens e à capacidade de atração residencial.
O segundo perfil corresponde ao interior envelhecido, onde se incluem vários municípios do Alentejo, com níveis baixos de natalidade durante todo o período. O terceiro integra concelhos de perfil intermédio, incluindo capitais de distrito e cidades médias, cuja evolução acompanha de perto a tendência nacional.
O quarto perfil reúne territórios considerados mais dinâmicos, que mantêm taxas de natalidade elevadas apesar do contexto nacional de declínio.
Desafio demográfico é também territorial
Segundo os dados disponíveis no Sales Index da Marktest e na aplicação Municípios Online, a evolução da natalidade em Portugal revela que o desafio demográfico não se resume à diminuição do número de crianças nascidas.
As assimetrias entre territórios mostram que o problema tem também uma dimensão territorial. Nos concelhos do interior e em várias zonas do Alentejo, a baixa natalidade junta-se ao envelhecimento populacional e à perda de residentes, exigindo respostas ajustadas à realidade demográfica de cada município.
Entre 2005 e 2013, a taxa de natalidade registou uma descida acentuada, num período associado ao envelhecimento da população, ao adiamento da maternidade e aos efeitos da crise económica. Seguiu-se uma fase de estabilização e ligeira recuperação até ao final da década de 2010, mas nos últimos anos a tendência voltou a ser de enfraquecimento.
Os dados refletem mudanças demográficas, sociais e económicas que têm alterado os modelos familiares e a distribuição territorial da população em Portugal.

Fonte: Marketest

















