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Alentejo Central é a única sub-região alentejana acima da média nacional na coesão

Dados do INE mostram desempenhos distintos entre competitividade, coesão e qualidade ambiental nas sub-regiões alentejanas.

As sub-regiões do Alentejo ficaram abaixo da média nacional no Índice Sintético de Desenvolvimento Regional de 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística. O Alentejo Central foi a sub-região alentejana com melhor posicionamento no índice global, embora sem ultrapassar o valor de referência nacional.

O indicador do INE, que compara as 26 sub-regiões NUTS III do país, é calculado a partir de três dimensões: competitividade, coesão e qualidade ambiental. Em 2024, apenas cinco sub-regiões superaram a média nacional no índice global: Grande Lisboa, Área Metropolitana do Porto, Região de Coimbra, Região de Aveiro e Alto Minho.

No caso do Alentejo, nenhuma das quatro sub-regiões NUTS III — Alentejo Central, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Alentejo Litoral — ficou acima da média nacional no índice global.

Alentejo Central destaca-se na coesão

Apesar de não superar a média nacional no índice global, o Alentejo Central ficou acima do referencial nacional no índice de coesão, com 102,20 pontos. Foi a única sub-região do Alentejo a integrar o grupo das nove NUTS III que ultrapassaram a média nacional nesta dimensão.

Segundo o INE, o índice de coesão apresentou em 2024 um retrato territorial mais equilibrado do que o índice de competitividade. Ainda assim, o Baixo Alentejo, o Alentejo Litoral e o Alto Alentejo surgem entre as sub-regiões com índices de coesão mais baixos.

A dimensão da coesão inclui indicadores associados a áreas como esperança de vida, rendimento, desemprego, educação, saúde, criminalidade, pensões e acesso a serviços.

Competitividade abaixo da média em todo o Alentejo

Na competitividade, todas as sub-regiões alentejanas ficaram abaixo da média nacional. O INE refere que os resultados de 2024 mostram uma concentração dos valores mais elevados no litoral do Continente, com destaque para a Grande Lisboa, a Região de Aveiro e a Área Metropolitana do Porto.

O índice de competitividade foi também a dimensão com maior disparidade regional entre as três analisadas. De acordo com o destaque estatístico, o coeficiente de variação foi de 8,9% na competitividade, acima dos 6,8% registados na coesão e dos 4,5% observados na qualidade ambiental.

Entre os indicadores usados nesta dimensão estão o PIB por habitante, produtividade aparente do trabalho, vendas ao exterior, emprego qualificado, despesas em investigação e desenvolvimento, intensidade tecnológica, banda larga e dinâmica empresarial.

Qualidade ambiental favorece o interior

A qualidade ambiental apresenta um retrato diferente. O INE assinala que os valores mais elevados se concentram no interior do Continente e nas Regiões Autónomas, em contraste com o padrão observado na competitividade.

Neste indicador, o Alto Alentejo, o Baixo Alentejo e o Alentejo Central ficaram acima da média nacional. O Alentejo Litoral ficou abaixo desse referencial, integrando o grupo de sub-regiões com resultados inferiores à média no índice global, na competitividade, na coesão e na qualidade ambiental.

A dimensão ambiental considera indicadores como água segura, qualidade do ar, resíduos urbanos, recolha seletiva, áreas classificadas, espaços florestais ardidos, energias renováveis, uso do solo e intensidade energética da economia.

INE aponta relação negativa entre ambiente e competitividade

O relatório do INE mostra que, em 2024, os índices de competitividade e de coesão tiveram uma correlação positiva com o índice global, ambos com valor de +0,9. Já a qualidade ambiental apresentou uma correlação negativa com o índice global, de -0,2.

Entre as três dimensões, a competitividade e a coesão registaram uma correlação positiva de +0,7. Em sentido contrário, a qualidade ambiental apresentou correlações negativas com a competitividade e com a coesão, de -0,5 e -0,4, respetivamente.

Segundo o INE, este comportamento reflete a multidimensionalidade e a complexidade do desenvolvimento regional.

Índice é calculado com 65 indicadores

O Índice Sintético de Desenvolvimento Regional é calculado anualmente para as regiões NUTS III do país. A edição de 2024 foi construída com base numa matriz de 65 indicadores estatísticos, distribuídos pelas dimensões competitividade, coesão e qualidade ambiental.

Os indicadores são normalizados e agregados por média não ponderada, sendo os resultados apresentados por referência ao contexto nacional, com Portugal igual a 100. O valor nacional corresponde à média dos índices das NUTS III ponderados pela população residente.

O próximo destaque do INE sobre o Índice Sintético de Desenvolvimento Regional está previsto para junho de 2027.

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