Agricultores contra o aumento das importações de tomate marroquino

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e a Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP) vieram a público, esta semana, manifestar-se contra o aumento da importação de tomate marroquino.

Apesar do contingente de 285.000 toneladas, estabelecido em 2014 no Acordo com a União Europeia, os agricultores salientam em nota enviada que “as importações de tomate marroquino têm aumentado nos últimos anos prevendo-se que, nesta campanha, Marrocos exporte mais de 500 mil toneladas para a União Europeia.”

A entidades representantes dos Agricultores deixam claro que “o Acordo UE-Marrocos estabelece claramente que as concessões da União Europeia relativas ao tomate fresco importado se pautam por um contingente de 285.000 toneladas e que os preços de entrada têm de evitar perturbações no mercado interno.”

“Na realidade esse contingente não está a ser respeitado”, afirmam os agricultores que dão como prova o “facto de Marrocos ir exportar para a União Europeia mais de 500.000 toneladas esta campanha.”

Neste âmbito, o Grupo de Contacto Franco-Espanhol-Italiano-Português «Tomate», constituído essencialmente por operadores, propõe “a alteração do método de cálculo do valor de importação de tomate proveniente de Marrocos”, reiterando que, “os problemas com que o sector europeu do tomate se confronta, devido às perturbações do mercado que são originadas, pelo que decidiu endereçar à Comissão Europeia uma carta, subscrita por um conjunto alargado de organizações agrícolas pertencentes a estes quatro Estado-membros, no caso português a CAP e a FNOP, tendo em vista:

  • alterar o método de cálculo utilizado para calcular o valor das importações de tomate de Marrocos, utilizando para tal apenas os preços relativos aos “tomates redondos”.
  • especificar, normalizar e auditar a forma de pagamento e de cálculo do preço dos produtos marroquinos na UE, a fim de que os preços do valor forfetário de importação comunicados pelos Estados-membros reflictam com exactidão a realidade dos mercados da União Europeia.”

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