Alentejo: DECO de monte em monte porque “há ainda muitas pessoas que vivem demasiado isoladas, a quem é difícil chegar esta informação” (c/som e fotos)

No ano 2018, registaram-se 130 situações de burla no distrito de Évora, tendo a DECO Alentejo prestado apoio a cerca de 250 consumidores da região do Alentejo, lesados por casos de burla, vendas agressivas e publicidade enganosa.

Neste mês de Outubro, a DECO, no âmbito da campanha SOS Consumidor, juntou-se à Guarda Nacional Republicana com o propósito de alertar os consumidores, particularmente os idosos, para os cuidados a ter nas abordagens porta-a-porta, que visam a venda de bens e serviços, e para os falsos rastreios médicos.

Esta campanha nas últimas semanas já passou pelo concelho de Redondo e Estremoz, estando ainda previsto passar por Beja e Portel.

ODigital.pt acompanhou as Técnicas da DECO, Helena Guerra e Isabel Curvo, que acompanhadas por um militar da Guarda Nacional Republicana se deslocaram a algumas habitações isoladas do concelho de Mora, no distrito de Évora.

Amália Pinto, foi uma das idosas visitada pela Equipa do SOS Consumidor e  em entrevista ao ODigital.pt mostrou-se muito satisfeita com esta visita e com os alertas deixados, dizendo que “estou contente de virem aqui para me ajudarem, pois acho que é para me ajudarem”, deixando ainda um testemunho real de uma abordagem por uns desconhecidos que lhe iam alegadamente “vender medicamentos mais baratos

Foram ainda visitados outros idosos onde a pouca mobilidade dificultava o acesso à informação ou um outro caso onde se vivia completamente isolado e até mesmo sem qualquer tipo de telecomunicações.

Em Mora, esta campanha SOS Consumidor inseriu-se na programação do “Mês do Idoso”, como referiu a Vereadora do Município de Mora, Mafalda Goulão Lopes. Sobre a parceria entre a autarquia de Mora e a DECO a vereadora refere que “já decorre desde 2016, foi uma aposta do município na altura, porque através da DECO conseguiríamos fazer sessões de esclarecimento junto de todos os munícipes que quisessem procurar este serviço e serem esclarecidos a todos os níveis, tanta coisa que acontece a nível de comunicação, de facturação de água, luz, e então conseguem ser esclarecidos por juristas e especialistas e ter esse acompanhamento e portanto foi essa a aposta do município.”

 

“A Deco alerta é para o facto de os consumidores não se sentirem obrigados a assinar contratos”

Sobre a campanha SOS Consumidor, Helena Guerra, da DECO, esclarece que “visa fundamentalmente informar os consumidores seniores sobre as abordagens porta a porta que são tantas vezes vitimas a quando estão em casa e são surpreendidos por comerciais de várias empresas, nomeadamente de empresas de telecomunicações, empresas que fornecem serviços de energia elétrica, ou por exemplo quando são convocados para rastreios auditivos, rastreios de AVC mas que no fundo o intuito daquela abordagem é um intuito comercial, sempre na perspetiva tentar vender um determinado produto ou serviço e aquilo que a DECO alerta é para o facto de os consumidores não se sentirem obrigados a assinar contratos para compra de bens e serviços que na sua maioria não correspondem ás suas necessidades.

 

“Há ainda muitas pessoas que vivem demasiado isoladas a quem é difícil chegar esta informação”

Esta campanha foi um projecto pioneiro da Delegação do Alentejo da DECO que dado o seu sucesso “a própria GNR lançou o convite à DECO para tornar esta campanha uma campanha nacional, por isso neste momento todas as delegações regionais da Deco de norte a sul do país estão a trabalhar com a GNR das suas regiões no sentido de implementar esta campanha nas localidades em parceria com as autarquias, com as juntas de freguesias locais, com as IPSS’s que também apoio o consumidor mais vulnerável, nomeadamente o consumidor sénior”, disse Helena Guerra, que acrescentou que “estamos muito satisfeitos com o impacto que esta campanha tem tido e o feedback é geral, no entanto temos ainda um longo caminho a percorrer porque há ainda muitas pessoas que vivem demasiado isoladas a quem é difícil chegar esta informação e nós queremos ainda continuar este projecto durante muito tempo para poder chegar ao consumidor a quem ainda não tivemos oportunidade de chegar com a informação, de que de facto não se deve sentir pressionado a assinar qualquer tipo de documento sem ser devidamente reflectida a proposta, não deve contratualizar um serviço e um bem que de faço não satisfaça as suas necessidades e por isso vendas à minha porta não, é também um slogan que nós passamos com esta campanha, para que as pessoas tenham atenção a estas abordagens.

 

“Temos a perfeita convicção esta recetividade é maior porque vamos acompanhado pelos militares da GNR”

Sobre qual a recepção por parte dos idosos a esta campanha, Helena Guerra diz que  “tem sido super positivo, mas temos a perfeita convicção esta recetividade é maior porque vamos acompanhado pelos militares da GNR no âmbito do seu programa de policiamento de proximidade, ou seja, este contacto com os idosos já é feito há muitos anos por parte da GNR e portanto nós quando vamos, os idosos já sabe da nossa presença previamente. No que diz respeito ás parcerias com as autarquias e com as IPSS’s, não podemos esquecer que este trabalho também é feito há muitos anos pelos técnicos que trabalham nestes territórios e portanto há um primeiro rosto conhecido, que é o rosto dos militares da GNR, que é o rosto dos técnicos que trabalham localmente e que introduzem a nossa ida e que facilitam o contacto dos profissionais da DECO com os idosos, porque se fossemos isoladamente seria mais difícil chegar a estes montes que nós também não conhecíamos à partida.

 

“O consumidor tem um prazo de 14 dias para poder desistir de um contrato que assinou à porta de casa”

Sobre as principais preocupações apresentadas pelos idosos abordados a Técnica da DECO refere que “um primeiro sentimento que nós temos vindo a constatar é o receio por parte deste tipo de abordagem que são feitas muitas vezes ao por do sol, quando as pessoas já estão a recolher e é muitas vezes neste contexto que surgem este tipo de abordagem. Outra das preocupações é como se podem defender de uma situação desse género, se for pressionada a assinar um contrato e me arrepender como devo actuar? E é por isso que nós deixamos um kit SOS Consumidor do qual consta um folheto informativo que diz por exemplo que o consumidor tem um prazo de 14 dias para poder desistir de um contrato que assinou à porta de casa ou se por exemplo disse que sim a uma abordagem telefónica feita por uma empresa deste género com fins comerciais, e portanto essa é a principal preocupação das pessoas é de facto saberem se assinaram como podem resolver essas situações.

 

“Já percorremos muito caminho, mas o que falta percorrer ainda é muito mais”

Questionada sobre a continuidade desta campanha nos próximos anos, Helena Guerra é perentória dizendo que sim, “porque se há uma constatação que temos tirado destas nossas itinerâncias é que já percorremos muito caminho, mas o que falta percorrer ainda é muito mais, e portanto não podemos deixar de dinamizar mais iniciativas deste género com a GNR, com os parceiros locais, envolvendo os técnicos de acção social que têm um papel preponderante neste trabalho e estamos convictos que há muito caminho ainda por percorrer.