Arnaldo Frade faz balanço positivo da “Semana IEFP ainda + Próximo”, no Alto Alentejo, mas alerta para a necessidade de um “trabalho mais articulado” entre instituições (c/som)

A Delegação Regional do Alentejo do Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P., promoveu a “Semana IEFP ainda + Próximo”, uma iniciativa em que, de forma simbólica e durante esta semana, transferiu a sua estrutura dirigente para as instalações de um Centro de Emprego e Formação Profissional da sua área de abrangência.

Durante estes dias a estrutura dirigente do IEFP visitou várias instituições do Alto Alentejo, tendo ainda realizado várias iniciativas.

ODigital.pt falou com Arnaldo Frade, Delegado Regional do Alentejo do IEFP, que fez um balanço positivo desta semana, dizendo que “pudemos com esta iniciativa trabalhar de forma mais próxima, quer internamente quer para o exterior. Internamente porque os dirigentes da Delegação Regional estiveram nos serviços da Sub-Região, pelo menos um funcionário em cada serviço do Centro de Emprego e Formação Profissional de Portalegre, em Elvas, em Ponte de Sôr, no Centro de Emprego em Portalegre e no Serviço de Formação em Portalegre, puderam todos os dias com os colegas que trabalham os vários procedimentos, analisar como é que esses procedimentos estão a decorrer, fazer as alterações possíveis nos termos da lei, para melhor conseguir atingirmos o nosso objectivo. Por outro lado, na vertente externa, visitámos instituições. Quer instituições públicas, quer entidades de economia social quer empresas privadas, e o saldo é extremamente positivo porque nós com estas visitas pudemos conhecer o trabalho que essas entidades fazem, perceber melhor as suas necessidades, e também alertá-los para algumas medidas ao nível do emprego e da formação profissional que estão disponíveis e podem ser úteis, para a gestão da própria entidade.”

Arnaldo Frade referiu ainda que esta semana teve como “objectivo de criar um sentimento de pertença dessas comunidades para com o IEFP para que todos de uma forma mais próxima possamos colaborar e cooperar no sentido de ajudarmos as pessoas, as empresas e várias entidades, porque é para isso que existimos. Portanto eu diria que os balanços se fazem no fim, mas efectivamente até agora o balanço é muito positivo.”

Esta “Semana IEFP ainda + Próximo” já se realizou em outras sub-regiões do Alentejo, por isso questionamos o Delegado Regional do IEFP sobre quais as semelhanças e as diferenças entre cada sub-região, tendo Arnaldo Frade afirmado que “as realidades são diferentes, o método de trabalho que colocámos em prática é idêntico, eu diria que as circunstancias básicas são idênticas quer no Baixo-Alentejo, quer no Alto-Alentejo. Ou seja, temos um contexto de descida continuada do desemprego, temos falta de recursos humanos, e temos no Alto e no Baixo-Alentejo empresas que se querem instalar e recrutar recursos humanos e têm dificuldade, não só qualificados mas também recursos humanos que não tenham qualificação não é fácil recrutá-los”, acrescentando que “ há um conjunto de problemas que são transversais e que a nós, nestas duas sub-regiões, nos permitem perceber que há uma grande similitude naquilo que são as grandes questões, e que isto quererá dizer, na nossa opinião e sem prejuízo de ainda irmos ao Alentejo litoral e depois fazermos uma análise mais próxima da realidade, que há medidas que importa tomar ao nível de toda a região Alentejo e que poderão ser úteis as todas as sub-regiões. Falamos na rede de transportes adequada às necessidades, falamos de um conjunto de remunerações ao nível dos vários sectores que possam valorizar o esforço das pessoas e aquilo que são as suas competências, e este aspecto não tem a ver com a região Alentejo mas sim com o país. Porque muitas vezes a remuneração que as pessoas recebem, se tiverem de pagar do seu bolso o transporte, não havendo rede de transportes, tendo de usarem o seu carro, há um conjunto de dificuldades que se colocam. A questão do preço da habitação, ou seja a habitação não é barata em Portalegre como não é barata em Beja, e portanto há aqui um conjunto de situações que a região globalmente considerada não pode deixar de ter em conta no sentido de arranjar soluções para as resolver.”

O responsável pelo IEFP no Alentejo, alerta ainda para o facto de “cada vez mais tentar encontrar entre todos um mecanismo de trabalho que funcione de uma forma mais articulada. A verdade é que cada instituição está no terreno a fazer o seu trabalho, a esforçar-se bastante para cumprir a sua missão mas muitas vezes uma instituição não faz ideia do que a outra anda a fazer. E é preciso termos aqui uma articulação tal que possamos ser complementares na nossa intervenção, que possamos ter objectivos quantificados e uma estrutura de monitorização de cumprimento desses objectivos que nos façam atingir metas.”

Arnaldo Frade conclui que “estamos numa fase em que não sabemos se ela se repetirá no futuro. Porque são tantos os investimentos em perspectiva e em tantos sectores de actividade que efectivamente é uma oportunidade de ouro que nós temos, de agarrar esses investimentos e não os perder porque não temos recursos humanos para dar resposta. E um investidor se fizer a sua análise da evolução demográfica e da captação de novos residentes, se perspectivar que necessitando de novos recursos humanos que não os vai ter, provavelmente ponderará investir noutro território.  E portanto isso não é bom para o Alentejo e é isso que queremos rectificar.”