Em quase 50 anos, a Câmara de Évora foi quase sempre governada por coligações lideradas pelo PCP, com a exceção do período entre 2001 e 2013, em que foi o PS que dirigiu os destinos do concelho.
O histórico autarca Abílio Fernandes foi o primeiro presidente deste município alentejano e manteve-se no cargo durante 25 anos, entre as primeiras eleições autárquicas, em 1976, e até 2001, sempre eleito em listas lideradas pelo PCP.
O PS interrompeu esta hegemonia comunista nas autárquicas de 2001, com José Ernesto Oliveira a conquistar o município com maioria absoluta e a repetir a vitória nas duas eleições seguintes, realizadas em 2005 e 2009, mas com maioria relativa.
José Ernesto Oliveira, que foi militante do PCP, do qual se desvinculou em 1992, e, mais tarde, do PS, governou a autarquia durante quase 12 anos, renunciando ao cargo por razões pessoais e de saúde antes de terminar o terceiro mandato.
Com esta saída concretizada no dia 01 de maio de 2013, o então vice-presidente, Manuel Melgão, também eleito pelo PS, assumiu a presidência e foi o candidato socialista nas autárquicas de 29 de setembro desse ano, perdendo as eleições para a CDU.
Vindo do concelho vizinho de Montemor-o-Novo, onde foi presidente da câmara durante cinco mandatos consecutivos, o comunista Carlos Pinto de Sá foi o ‘rosto’ da reconquista da CDU, conseguindo a maioria absoluta nas eleições de 2013 e 2017.
Mas, há quatro anos, a CDU perdeu a maioria absoluta e o executivo municipal passou a ser constituído por dois eleitos da coligação, dois do PS, outros dois do PSD e um do Movimento Cuidar de Évora, enquanto a mesa da assembleia municipal ficou nas ‘mãos’ dos socialistas.
A gestão CDU da autarquia, com maioria relativa, ficou então resumida a dois elementos, presidente e vice-presidente, e, após as eleições, ainda decorreram negociações com os outros partidos eleitos para uma governação estável, mas terminaram sem acordo.
Carlos Pinto de Sá está a cumprir o seu terceiro e último mandato em Évora e volta a candidatar-se pela CDU à Câmara de Montemor-o-Novo, atualmente nas ‘mãos’ do PS.
Um dos principais temas deste mandato foi a conquista do título de Capital Europeia da Cultura (CEC) em 2027 pela cidade, cuja candidatura foi liderada pela câmara municipal.
A preparação da CEC Évora 2027 não esteve isenta de polémicas, como a escolha de Maria do Céu Ramos para presidir à associação gestora, a demissão da ex-coordenadora da Equipa de Missão, Paula Mota Garcia, ou divergências relacionadas com o financiamento, ficando o próximo executivo camarário com a concretização da iniciativa no centro das preocupações.
Situado no ‘coração’ do Alentejo, o concelho de Évora tem como principais alicerces económicos a agricultura, serviços, turismo e indústria, sobretudo de componente eletrónicos e aeronáutica, e como ‘joia da coroa’ o centro histórico, classificado Património da Humanidade pela UNESCO.
Segundo dados da plataforma estatística Pordata, este concelho, com 1.307,08 quilómetros quadrados de área, tinha, em 2024, uma população de 53.908 pessoas.
Apesar de ser um dos concelhos mais desenvolvidos da região, Évora não foge ao envelhecimento da população, com 187,7 idosos por cada 100 jovens, em 2024, de acordo com a Pordata.
A mesma plataforma estatística indica que o salário bruto médio mensal neste concelho era, em 2023, de 1.369,7 euros, inferior ao valor nacional (1.460,8 euros), no mesmo ano.

















