Barro Branco (Borba): Dezenas de pessoas caminharam na procissão em Honra de Nossa Senhora da Vitória (c/fotos)

Procissão no Barro Branco

A localidade de Barro Branco, no concelho de Borba, recebeu, este domingo, a procissão em Honra de Nossa Senhora da Vitória, uma tradição que se realiza todos os anos por esta altura, mas que este ano, devido à pandemia se resumiu aos actos religiosos.

Após a missa, que se iniciou às 18 horas, na Ermida de Nossa Senhora da Vitória, realizou-se uma procissão, à qual acorreram dezenas de pessoas. Uma procissão que percorreu as principais ruas da localidade, numa caminhada de fé.

Uma procissão devidamente autorizada pelas Autoridades e onde o uso da máscara foi a medida de prevenção à Covid-19 mais visível.

No final, ODigital.pt falou com o pároco José António Gonçalves, que começou por dizer que “é uma procissão normal, uma profissão é sempre uma coisa normal na vida dos cristãos. Enfim com aquelas regras e com cuidado mais atentos a esta preocupação que todos temos com a epidemia”, mas deixou claro que “foi uma manifestação de fé muito bonita mesmo com a distância entre as pessoas que iam bem espaçadas, todas com máscara na cara como é preciso é importante. Não quisemos deixar, dentro destas circunstâncias, de manifestar a nossa fé e este testemunho, porque uma procissão é sempre um testemunho de fé que os cristãos dão.”

Ao terminar a procissão, o Padre José Gonçalves felicitou a população por preferir marcar presença na procissão do que preferirem qualquer tipo de festa, tendo nos dito depois que “esta ideia de que a festa é só a parte lúdica, a música, o baile, os comes e bebes como se costuma dizer, é verdade que isso também faz parte da festa e tem uma dimensão importante da festa, mas essa numa festa religiosa nunca pode ser a parte mais importante e este ano tivemos a oportunidade de manifestar e mostrar isso mesmo porque não sendo possível por razões que todos conhecemos haver bailarico e o conjunto musical e comes e bebes e essas esses divertimentos que também fazem parte de uma vida em sociedade.”

Nesta tarde foi ainda destacada a “coragem” do pároco local em seguir com a procissão apesar das contingências, sendo que em declarações a’ODigital.pt o Padre afirmou que “não é preciso muita coragem realmente, sabe que esta freguesia tem um historial muito antigo até já secular de nunca deixar de fazer aquelas procissões que são significativas no seu sentimento religioso” recordando que “há 110 anos quando foi a República a freguesia de Rio de Moinhos foi a única freguesia de Portugal que fez a procissão do Corpo de Deus e portanto esta gente nunca desiste de viver aquilo que é importante na sua vida porque para quem é católico tem fé é tão importante vir à missa e vir a procissão como ir todos os dias ao supermercado comprar o pão e o leite e as coisas que são essenciais e como nós não vivemos só de pão.”

Questionado sobre outros procissões que se realizaram, mas de automóvel, tendo o pároco referido que “em relação às outras terras não me quero pronunciar muito sobre a forma como o fazem, aqui fizemo-lo bem, fizemo-lo dentro das regras, não houve nenhuma complicação, as pessoas não se acumularam, nem se nem se misturaram umas com as outras no sentido de poderem oferecer perigo umas às outras e fizemos o que é importante para nós cristãos.”

Já sobre o facto de ali se venerar Nossa Senhora da Vitória, o Padre José Gonçalves destacou que “quer dizer algo e até isso nos levou se calhar a um sentimento muito maior porque a senhora chama se da Vitória por causa daquela vitória histórica a famosa que nós aqui tivemos, nós os portugueses. Este desafio da vitória estamos sempre a tê-lo e agora com esta pandemia e com estas estas preocupações todas que afligem o coração dos homens, mais do que nunca precisamos de uma vitória. Vencer os medos, vencer estes estes receios que nos isolam que afastam as pessoas umas das outras. Ter a vitória também a relação a este vírus que havemos de vencer com certeza, porque temos confiança que é a nossa fé que nos fortalece nesse sentido.”