Candidatura Fortalezas Abaluartadas da Raia é “um dos bons exemplos das virtudes de trabalhar com os outros, conjunto, e não apenas individualmente” (c/som)

Como ODigital.pt noticiou, celebrou-se, no passado dia 24 de Janeiro, o Dia da Restauração do Concelho de Marvão.

Na cerimónia que celebrou o 122º aniversário da restauração, foi apresentada a Candidatura das Fortalezas Abaluartadas da Raia a Património da Humanidade e a respectiva Rota das Fortalezas Abaluartadas da Raia, tendo estado presente para além do Autarca de Marvão, Luis Vitorino, Margarida Alçada (Coordenadora da Candidatura), a Ana Paula Amendoeira (Diretora Regional de Cultura do Alentejo), bem como os representantes dos Municípios de Almeida, Elvas e Valença, parceiros na elaboração do dossier de candidatura a Património Mundial da UNESCO.

ODigital.pt falou com Ana Paula Amendoeira, Directora Regional de Cultura do Alentejo, que começou por referir que esta candidatura é “um dos bons exemplos das virtudes de trabalhar com os outros, conjunto, e não apenas individualmente”, destacando o facto de “a câmara e o presidente de Elvas por ter aceitado integrar esta candidatura, porque como sabemos Elvas já se encontra inscrita na lista mas teve este gesto que considero muito relevante de solidariedade com outras localidades que entra agora nesta candidatura colectiva de Fortaleza Abaluartadas da Raia, que certamente vai ajudar muito a dinâmica e capacidade desta candidatura e o seu sucesso.”

A Directora de Cultura do Alentejo salienta o facto dos municípios “terem percebido e acolhido aquilo que foi a sugestão da UNESCO. Eu, por outras circunstâncias integrei o grupo de trabalho e nesse grupo de trabalho foi unânime entender-se que seria melhor se existisse uma candidatura conjunta destes sítios ao invés de ire individualmente. E então o conselho da UNESCO decidiu propor essa modalidade de candidatura conjunta e os municípios imediatamente acolheram positivamente essa proposta da UNESCO. E isso releva uma visão que estes presidentes e câmaras tiveram de que poderiam chegar mais longe em conjunto. Portanto este é um excelente exemplo mesmo para o nosso trabalho no Alentejo, na cultura e no Património, de que temos sempre muito mais a ganhar em trabalhar uns com os outros.”

Ana Paula Amendoeira adianta que “esta candidatura ainda que numa primeira fase é de inclusão, não exclui ninguém. Permite que voltemos a uma outra fase de 2008 em que existiu essa proposta de que houvessem mais candidaturas que se integrasse nesta candidatura das fortalezas, na altura por outras razões não foi possível concluir, as agora há novamente condições para que após esta primeira fase, as outras fortificações da Raia possam entrar e é essa mais uma virtude desta candidatura, que é uma candidatura em série, não exclui ninguém. Porque o valor do nosso património fortificado é tão grande que por vezes nem damos conta do bem que temos nas nossas fortificações e na realidade cultural que se criou com a Raia que é uma realidade única no mundo.”

Questionada sobre uma previsão de quando esta candidatura poderá ser votada na UNESCO, a responsável pela Cultura no Alentejo refere que “foi agora entregue. Penso que dentro de 2 anos estará em condições de ser votada pelo comité.”

No discurso que proferiu, Ana Paula Amendoeira deixou a possibilidade de esta candidatura poder concorrer contra outra portuguesa no momento da votação, na UNESCO. Questionada  sobre qual poderia ser a outra candidatura portuguesa, Ana Amendoeira disse ainda que “a lista indicativa portuguesa tem várias categorias, vários bens. Agora depende dos timings que os outros promotores decidirem e haver mais do que uma candidatura portuguesa no mesmo ano, como aconteceu em 2019, em que tivemos Bom Jesus de Braga e Mafra. Havia duas portuguesa em competição positiva e saudável. Foram ambas escolhidas e provavelmente no futuro se voltar a acontecer será igual. Quando falo em competição é num âmbito saudável.”

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