Delegado do IEFP do Alentejo alerta para a falta de mão-de-obra qualificada e desafia entidades regionais a desenvolver um plano conjunto (c/som)

Foto: Hugo Calado/ODigital.pt

Nos últimos anos o número de empresas a instalar-se no Alentejo tem aumentado, nomeadamente no sector aeronáutico, empresas que procuram na região recursos humanos qualificados.

Esse número de pessoas qualificadas ou em actividade começa cada vez mais a ser insuficiente, perante a procura e exigência das empresas a instalar-se no Alentejo, adiantou-nos Arnaldo Frade, Delegado Regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional.

De acordo com Arnaldo Frade, “o número de pessoas que nós temos na região, em termos de função activa, é cada vez mais insuficiente para o número de intenções e investimento gerador de postos de trabalho que vamos tendo conhecimento”, acrescentando que “é por isso que nós [IEFP] temos vindo a apelar às instituições para que seja feito um trabalho que na nossa opinião, deve ser iniciativa de uma entidade que tenha uma preocupação territorial alargada multidisciplinar.”

O Delegado Regional do Alentejo desafia as Comunidade Intermunicipais e a CCDR, a desenvolver um plano, envolvendo a Segurança Social, o IEFP, a saúde e a educação, “no sentido de captação de novos residentes com métricas, com metas monitorizável a todo o tempo, no sentido de termos aqui uma política que permita fazer por exemplo com que os estudantes universitários que estão no Alentejo, e sejam de fora, cá possam ficar, que os universitários alentejanos que estão fora possam voltar, e que mesmo pessoas que têm ligação ao Alentejo e vivam nas grandes cidades possam, com incentivos, ser chamadas a regressar à região, e por essa via não perdermos nenhum investimento por via da falta de pessoas para os postos de trabalho que vão ser criados.”

Arnaldo Frade admite que “se não for num esforço congregado de várias entidades, a noção que nós temos é que cada um trabalhará por si, cada um estará envolvido na sua área de responsabilidade e conhecerá pouco aquilo que se vai fazendo ao lado”, acrescentando que se não houver parcerias entre as várias entidades, “o projecto de desenvolvimento pode passar-nos ao lado, já temos muito investimento que já se concretizou mas pelo facto de estarmos na moda, e ainda bem, muito outro investimento se pode aqui concretizar e isso é uma oportunidade enorme para manter as pequenas localidades”.

Questionado se por falta de mão-de-obra e de pessoas qualificadas, o Alentejo já perdeu algum investimento importante, Arnado Frade afirma que “não temos conhecimento de nenhum que tenha deixado de ser concretizado por via disso”, salientando que “temos consciência que os investidores não investem por acaso, fazem estudos sobre o território em que se pretendem instalar e vão tentar saber se outros também se pretendem fixar e se há outros que estejam já com processos mais avançados que possam fazer reduzir ainda mais a mão-de-obra disponível, e é natural que numa lógica de rentabilização do investimento, o reduzido número de cidadãos em idade activa possa fazer perigar algum investimento”, finalizando dizendo que “não temos conhecimento de nenhum caso desses, mas temos de trabalhar o quanto antes para evitar que isso aconteça.”