É essencial pensar “fora da caixa e ultrapassar barreiras”, diz Vereador da Câmara de Évora sobre a candidatura a Cidade Europeia da Cultura

O Workshop Internacional “Culture Capital Cities”, que decorreu em Évora, focou-se nas estratégias e nos caminhos possíveis para a candidatura que Évora apresentará formalmente no próximo ano, para ser Capital Europeia da Cultura em 2027. Na continuação do primeiro dia, que já tinha abordado questões como a participação cívica e os impactos e legados destas capitais, o último dia contou com o contributo de fortes oradores internacionais.

Katherine Heid, representante do Comité Económico e Social Europeu, foi uma das presenças relevantes. Indicando a diversidade, participação, inclusão e espirito crítico como essenciais para o «início da viagem» da apresentação da candidatura, referiu, entre outros temas, a necessidade de pensar nos habitantes locais como o principal público, ainda que incluindo os turistas: «deve-se pensar no turismo, mas sempre vendo os benefícios que resultam do turismo como algo que beneficia também as populações, não as fazendo pensar se esta é ainda a sua cidade».

No evento foi também possível ouvir as considerações de Tom Fleming, consultor de Indústrias Criativas que fez parte da equipa do programa de Guimarães 2012, quando a cidade foi Capital Europeia da Cultura, e que encerrou o evento com Eduardo Luciando, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Évora. Para Tom Fleming, é essencial pensar «fora da caixa e ultrapassar barreiras», encontrando um equilíbrio essencial entre a identidade de uma cidade tradicional e uma proposta de programa original, disruptivo, tecnológico, «reconstruindo a cidade como um laboratório para a cultura», «com um crescimento cultural radical e sustentável».

A secretária-geral da Culture Action Europe, Tera Badia, foi outra das oradoras que reforçou a ideia da proximidade às populações, diversidade e transparência do processo, que deve sempre envolver os cidadãos. Refletindo sobre qual o caminho para pensar na cultura de uma forma não apenas económica, mas criativa, voltando ao seu conceito original, Tera apontou a «gestão da cultura pela comunidade» como um possível modelo de sucesso a seguir.

Cristina Farinha, consultora e investigadora especializada em Industrias Criativas na Europa, juntou-se a um dia preenchido por oradores internacionais, reforçando a ideia de que uma candidatura a Capital Europeia da Cultura é «um processo que só tem vencedores e nunca representa um passo atrás», pois todos os contactos feitos no âmbito do processo acabam, por si só, por contribuir para alterações positivas e para o desenvolvimento das cidades, estabelecendo parcerias a nível local, nacional e internacional.

Atualmente parte do júri de doze elementos, nomeado por várias instituições europeias, que selecionam as cidades Capitais Europeias da Cultura, Cristina Farinha, focou ainda o processo de candidatura e as melhores estratégias para mostrar que uma cidade deve receber esta distinção, que passam sobretudo por apostar numa forte dimensão europeia em integração com a cultura local, «num diálogo, não num monólogo». Já no seu segundo mandato, Cristina Farinha não fará parte do júri para 2027.