Empresas dos autocarros de turismo exigem medidas de apoio. Há uma de Estremoz com mais de 20 autocarros parados (c/fotos)

SOS autocarros passou por Estremoz

Apesar do sector da aviação ter retomado a sua atividade, sem restrições na lotação, há um setor dos transportes que continua praticamente parado e a passar sérias dificuldades.

O sector dos autocarros de turismo está praticamente parado, há empresas em risco, há milhares de postos de trabalho em risco e as empresas acusam o governo de não as apoiar.

Por este motivo foi criado o Movimento SOS autocarros, tendo como intuito facilitar a comunicação, troca ideias entre empresas do sector dos transportes pesados passageiros. Este movimento que agora está a promover a ‘Volta a Portugal’ com um autocarro que percorrerá todos os distritos de Portugal Continental para recolher os alvarás das empresas e as matrículas das viaturas em risco, símbolo dos dois mil postos de trabalho em risco e dos milhões de euros de investimentos que onerarão pesadamente os bancos e o erário público se nada for feito.

Um dos pontos de paragem foi Estremoz, onde está sediada uma das maiores empresas de transporte de passageiros a “Rainha Santa Isabel”, que tem atualmente parados mais de duas dezenas de autocarros.

ODigital.pt esteve presente nesta ação de protesto e ouviu Amabília Costa, da SOS Autocarro, que começou por explicar esta volta a Portugal, dizendo que “o objetivo é sensibilizar a opinião pública e o nosso governo para a situação que se está a viver o setor dos autocarros”, referindo que “o setor dos autocarros já desde o dia 13 ou antes do dia 13 de março, já estava com muito pouco trabalho, porque a época do inverno é muito complicada para nós e a partir de março, que era quando teríamos o bolo maior do nosso trabalho, até finais de novembro, mas com esta pandemia acabámos por ser os primeiros a parar e certamente iremos ser os últimos a retomar as nossas atividades”.

Amabília Costa afirma que “até agora as soluções que o governo deu não se encaixam, não chegam para o futuro do nosso trabalho para podermos retomar a atividade.”

Sobre o que reivindicam em concreto as empresas do setor, a responsável disse que pretendem que “seja concedida lotação máxima nos autocarros, para que possamos trabalhar com segurança”, bem como, “prolongar a moratória até março, que já foi decidido, mas que não é o suficiente, pois vai entrar a época de inverno e nós vamos continuar parados”.

Esta “volta a Portugal” vai culminar “em Lisboa no dia 16 com uma marcha lenta com os colegas todos do país, que irão estar também no Porto no mesmo dia, em Faro e Albufeira também para que possamos com esta nossa marcha lenta dizer às pessoas e ao Governo que estamos aqui, queremos trabalhar e que vamos ter que despedir muitos funcionários o que nos preocupa muito e não é isso que queremos”, concluiu Amabília Costa.

Ouvimos ainda António Batista, da empresa “Rainha Santa Isabel” e “TarsiBus”, que começou por dizer que “estamos solidários com os nossos colegas porque os problemas deles, são os nossos”.

António Batista deixou claro que “é seguro viajar nos autocarros, pois temos todas as capacidades desde, do álcool gel, ao distanciamento”, mas “queremos que a lotação permitida seja alterada, como acontece nos aviões, porque assim é impossível, economicamente está a sufocar-nos”.

O responsável da empresa estremocense lamenta ainda o facto do Governo “não estar a enquadrar as empresas de transportes setor do turismo, mas sim no setor dos transportes, ou seja, qualquer verba que seja disponibilizada pelo governo não nos está a chegar a nós e isso é muito grave”.

Já sobre a situação da empresa estremocense, António Batista refere que em março “tínhamos na data que paramos 25 motoristas e agora se estivéssemos a trabalhar sempre teríamos de ter mais. Atualmente temos 23 viaturas paradas, temos aqui em Estremoz duas garagens completamente cheias de autocarros, temos mais em Lisboa e em Évora”.

O responsável termina dizendo que “o nosso setor não tem tido a atenção que outros setores têm tido, também na área do turismo, e é isso que nós também queremos.”