Estremoz: “Se alguém quiser fazer esta colecção outra vez, não era capaz, nem com 70 milhões”, disse Joe Berardo (c/som)

Foto: RB

Como já noticiámos, esta quarta-feira, decorreu a inauguração do Museu Berardo Estremoz. Um novo espaço que tem no seu interior a “maior e mais importante colecção privada de azulejos” em Portugal. Um equipamento que resulta de um investimento superior a 2,6 milhões de euros, com comparticipação de 75% de fundos comunitários.

Este novo espaço museológico está instalado no histórico Palácio Tocha, um imóvel classificado, no coração da cidade de Estremoz,

Na cerimónia de abertura destaque para a presença do Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Francisco Ramos e do Comendador Joe Berardo.

Nas declarações proferidas, Joe Berardo começou por afirmar que “foi uma obra muito difícil, foi tudo refeito, o apoio a este projecto foi de 75%, mas nós investimos muito dinheiro aqui e depois parte dos tais do 75% nem estão pagos ainda”.

Já sobre o acordo realizado com a Autarquia de Estremoz, Joe Berardo deixou o desejo de que “câmara tenha a paixão por estas coisas aqui, como nós temos”, acrescentando que “nós aqui temos azulejos mesmo de Estremoz, temos daqui da casa e foi isso que me convenceu comprar a casa, porque tinha azulejos de grande qualidade”, esperando que “façam muitos roteiros”, para visitar esta colecção.

Joe Berardo explicou que “tínhamos de fazer a história de 800 anos, o que são muitos anos, mas se vierem lá em baixo temos um azulejo romano que diz por baixo “nós já estávamos aqui antes de Cristo” e isto é só para ver a dimensão que o Alentejo tem”.

Já sobre as noticias que saíram dando conta que o financiamento comunitário teria sido de 85%, o Comendador Berardo esclareceu que “foi uma noticia que saiu que diz que eu recebi 85% de fundo perdido do projecto, era 85%, confirmamos 85%, depois passou para 75%, mas pronto, temos de compreender que Portugal está atravessar um período muito difícil, mas agora com estes milhões todos a vir, pode ser que a gente todos vá beneficiar com isso”.

Já sobre se tinha convidado algum governante para a cerimónia de abertura, o Comendador referiu que “convidamos a Ministra da Cultura e a da Coesão territorial, mas também há muita coisa a acontecer, pandemónias e coisas assim, mas não há-de faltar tempo para eles cá virem”

Quase a terminar a sua intervenção, Joe Berardo lançou o desafio às entidades competentes para uma candidatura do azulejo a Património Mundial, referindo que “se os Bonecos de Estremoz, os Chocalhos, o Fado, os Cantares são património e eu acho que isto [azulejo] é uma coisa muito típica portuguesa e nunca se olha, mas faz-se coisas pequenas porque dá menos massada, mas o azulejo é uma arte, tem um percurso, tem uma alma”.

Questionado sobre o valor da colecção ali exposta Joe Berardo ironizou dizendo que “quem quiser fazer esta colecção outra vez, não havia possibilidade, nem com 70 milhões, e atenção que não estou a dar o valor de 70 milhões, mas não conseguem, mesmo com 70 milhões deu euros”.

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