Évora: “Muitas vezes, as empresas ou crescem ou começam a definhar e precisamos de apoiar esses processos de crescimento”, diz Ministro da Economia (c/som e fotos)

Decorreu esta quinta-feira, 19 de Setembro, no auditório do NERE-Núcleo Empresarial da Região de Évora o Encontro de Empresas Familiares, que contou com a presença do Ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, para a apresentação de uma Linha de Crédito de 100 Milhões de Euros para Empresas Familiares.

Promovido pela Associação de Empresas Familiares, este Road Show contou com  ainda com a presença de Peter Villax, Presidente da Associação das Empresas Familiares, Delfina Marques, Vice-Presidente do NERE, bem como Nuno Gonçalves, Vogal do IAPMEI, entre outras entidades e representantes de empresas familiares.

ODigital.pt marcou presença e falou com Peter Villax, Presidente da Associação das Empresas Familiares, que começou por explicar que este RoadShow tem vários objectivos, “o primeiro é dar-mos a conhecer a Associação das Empresas Familiares, o segundo é sempre angariar mais associados para a Associação das Empresas Familiares, o terceiro é termos aqui uma parceria com o Ministério da Economia, com o IAPMEI, para anunciar a linha de financiamento da sucessão empresarial e da consolidação das empresas.”

Relativamente à linha de crédito apresentada, Peter Villax, refere que “é uma linha de financiamento de 100 milhões de euros, em que permite que numa empresa familiar, por exemplo, um irmão compre as partes sociais dos seus irmãos que não querem continuar com o negócio, e em que os pais decidiram deixar de trabalhar e fazer a sucessão para os filhos e há um irmão que quer seguir com o negócio e isto vai ajudá-lo a comprar aos irmãos”, acrescentando ainda que “dá também possibilidade de uma empresa comprar outra empresa em que o fundador já não sente energia para continuar, ou mesmo um trabalhador a comprar a empresa ao patrão.”

Ainda sobre a linha de crédito, o Presidente da Associação das Empresas Familiares destaca que “estamos a falar de apoios na ordem dos 250 mil euros aos 2 milhões e 500 mil euros. É um empréstimo a 70%, o comprador tem que financiar 30%. Recebe 70% do estado, garantido pelo estado, será um empréstimo bancário garantido pelo estado, com SPREAD máximo de 3.75%, reembolsável a 7 anos. Portanto, melhor não é possível.”

Sobre a existência de interessados nesta linha de crédito, o Dirigente avança que “já me apareceu o primeiro a dizer que está interessado.”

Questionado sobre o número de empresas familiares no Alentejo, Peter Villax, disse apenas que “as empresas familiares são a mesma percentagem em todos os distritos do país, são à volta de 70 a 80%.”

ODigital.pt falou também com Pedro Siza Vieira, Ministro Adjunto e da Economia, que começou por dizer que “o nosso tecido empresarial é maioritariamente constituído por pequenas e médias empresas, muitas delas de cariz familiar. E nós temos de assegurar que estas empresas que têm posto o país a crescer, num momento em que tem de se preparar para uma sucessão de gerações, preservam e até acrescentam valor para o futuro. Muitas vezes é preciso ter capacidade financeira, quer seja para concentrar acções sociais seja para adquirir uma outra empresa e aquilo que queremos com esta linha de crédito é apoiar esses projectos de sucessão empresarial.”

Pedro Siza Vieira destaca os “contactos com as associações empresariais, para que também os seus associados possam estar mais sensíveis aos problemas, possam conhecer as melhores práticas e os instrumentos financeiros que existem ao dispor. Por isso vimos com muito agrado que NERE e a Associação de Empresas Familiares se tenham juntado a esta iniciativa.”

Questionado se este tipo de linha de crédito pode, de facto, ajudar a fazer crescer este tipo de empresa, o Governante afirma que “sabemos que muitas vezes, as empresas ou crescem ou começam a definhar e precisamos de apoiar esses processos de crescimento que muitas vezes passam por se associarem a outras empresas, que é sempre muito difícil para os nossos empresários mas que faz parte das boas práticas, mas outras vezes passa por aumento de capital para fazer uma aquisição, fazer fusão ou simplesmente ganhar escala.”

Sobre a sua afirmação na conferência de que as empresas teria que se capitalizar para puder superar melhor as dificuldades do futuro, o Ministro Adjunto e da Economia disse ao ODigital.pt que “quando se lançou o programa Capitalizar, as empresas estavam muito endividadas e muito descapitalizadas, e o programa visou mudar esse panorama. Hoje em dia, os números do Banco de Portugal, mostra que que o grau de autonomia financeira, das empresas, está quase nos 39%, era 30% há cinco anos, e portanto isto significa que há um reforço dos capitais próprios, o que significa que as empresas estão mais robustas, mais resistentes, mais capazes de investir e aceder ao crédito. É esse caminho que temos e continuar a traçar para assegurar que todos estamos nas melhores condições para aproveitarmos as oportunidades que o futuro nos reserva.”