Festival Jardins Efémeros vai voltar a Viseu em 2020 e 2021

Óptimas notícias para todos os viseenses que gostam de cultura! O Festival Jardins Efémeros, que tinha vindo a decorrer em vários espaços da cidade de Viseu desde 2012 até 2018, vai voltar a dar música e arte ao centro do país com novas edições programadas para 2020 e 2021. Em Março do presente ano, os organizadores do Jardins Efémeros, juntamente com a Câmara Municipal de Viseu, emitiram um comunicado em que revelavam que a edição de 2019 do festival não se iria realizar por falta de condições. A Câmara Municipal de Viseu assegurou nesse mesmo comunicado que todos os esforços se direccionavam no sentido de garantir que o Festival voltaria já em 2020, salientado o papel cultural de grande destaque e relevo na região, ainda que a suspensão do Festival no presente ano tenha tido como origem desavenças financeiras entre o município e os organizadores do festival.
No dia 11 de Outubro de 2019 ficaram confirmadas as esperanças de vários viseenses, quando o Festival Jardins Efémeros tornou pública a notícia de que a DGA (Direcção Geral das Artes) tinha emitido o financiamento de que o Festival necessitava para voltar a acontecer já no próximo ano civil. Segundo a DGA, o apoio financeiro foi concedido ao Jardins Efémeros devido à sua transversalidade cultural capaz de atrair uma grande diversidade de público, às suas parcerias permanentes com a comunidade artística e projectos culturais nacionais, e de modo a procurar diminuir as assimetrias que muitas vezes se dão ao nível do investimento cultural em diferentes zonas do país. Na zona centro de Portugal, e mais concretamente em Viseu, não existe nenhum festival de artes que se assemelhe ao Festival Jardins Efémeros.
Segundo a promotora dos Jardins Efémeros, Sandra Oliveira, estão garantidas as condições necessárias para que o festival decorra não apenas em 2020 como em 2021. Para além do apoio da DGA, o projecto está associado a vários investimentos privados, e espera receber da Câmara Municipal de Viseu, mais concretamente como resultado de uma candidatura ao programa cultural municipal Viseu Cultura, o valor de €83,000 + IVA. Depois de no ano de 2019 as cartas terem saído furadas aos organizadores do Festival devido a desavenças com a Câmara, 2020 e 2021 darão aos organizadores a oportunidade de jogar poker com mais segurança.
O que são os Jardins Efémeros
Os Jardins Efémeros destacam-se enquanto uma plataforma cultural multidisciplinar, a única do género na região de Viseu. A filosofia dos Jardins Efémeros assenta na ideia de interactividade entre artistas, programadores e público, ressalvando ainda assim um interesse pelo lado mais experimental da criação cultural. O Festival tem por isso como objectivo o aproximar entre um público que não é necessariamente de nicho e produção artística com fortes declarações estéticas. É este fascínio pelo lado mais rebelde, inovador e único do mundo da arte que faz do Festival Jardins Efémeros um evento tão especial para o centro do país que com tanto sucesso é capaz de atrair vários visitantes vindos de fora da região. É actualmente tido como um dos eventos culturais viseenses com mais interesse a nível internacional, e é um dos poucos festivais de música e artes em Portugal que procura alimentar um cartaz cem por centro centrado em projectos artísticos de valor curativo.
A história dos Jardins Efémeros
O Festival Jardins Efémeros aconteceu desde 2012 até 2018, e contou com a presença de vários artistas nacionais e internacionais de renome. Em 2016 passaram por Viseu nomes de interesse da música internacional como a artista electrónica suíça Aisha Devi, a cantora e autora Lula Pena, ou a harpista Mary Lattimore, assim como vários artistas de peso da cena portuguesa independente, como Sensible Soccers, Galo Cant’Às Duas, ou Peixe : Avião. No ano seguinte a aposta na electrónica de culto internacional continuou com o recrutamento de personalidades importantes dentro do nicho: o experimentalista do vinil William Basinski, o mexicano Murcof, ou o compositor de paisagens sonoras Fennesz. Os amantes do jazz tiveram ainda a oportunidade de ouvir o histórico Evan Parker. Em 2018 decorreu a edição mais recente do Festival, e a boa música continuou a chegar a Viseu. Marcaram presença a conceituada Félicia Atkinson, a dupla André Gonçalves e Casper Clausen, e talentos portugueses como Nídia, DJ de música de dança electrónica de cariz africano que actualmente reside em Bordéus.
Forte carácter pluridisciplinar
O Festival Jardins Efémeros é muito mais do que um festival de música. Embora os nomes grandes do cartaz estejam muito frequentemente ligados ao mundo do som, o evento cultural prima pela sua grande variedade de modalidades artísticas, e investe em todo o tipo de universos culturais, desde o cinema até à dança e ao teatro. Além disso, o Jardins Efémeros foca-se em exercer uma aproximação à comunidade com várias iniciativas de carácter humanitário e com preocupações de solidariedade a nível local. Na edição de 2018, por exemplo, o cartaz incluiu uma sopa comunitária e conferências como ‘Comunidades Ciganas em Acção!’ e ‘Juntando a fome com a Vontade de comer’.