Fundação da Casa de Bragança irá requalificar Castelo de Vila Viçosa e assim “integrar o edifício na sua história”, diz Maria de Jesus Monge (c/som)

Nos últimos anos muito se falou do Castelo de Vila Viçosa, da sua requalificação tanto interior como da sua envolvente.

Principalmente para a envolvente deste castelo tem-se falado em possíveis projectos, foram assinados protocolos com a autarquia, mas agora a Fundação da Casa de Bragança entendeu que chegou a hora de devolver este histórico espaço a uma melhor fruição.

Neste sentido, como já noticiamos, parte da exposição do Museu da Caça sofreu um melhoramento e já foi inaugurada, mas a Directora do Museu Biblioteca da Fundação da Casa de Bragança esclareceu que este foi o inicio de um conjunto de intervenções que vão ser feitas.

“O Castelo de Vila Viçosa, por culpa nossa, não conta a história do próprio edifício”

Para já no interior do castelo vamos continuar com as reorganizações das colecções de caça”, começou por dizer Maria de Jesus Monge, que em entrevista ao ODigital.pt refere que “para o ano vamos também fazer a requalificação das colecções de arqueologia, eventualmente com a Taça de Tróia, é um evento que ainda estamos a trabalhar, e muito importante, o Castelo de Vila Viçosa sendo um monumento muito importante da paisagem e sendo uma peça que tem uma história muito importante para contar, por culpa nossa, Fundação da Casa de Bragança, não conta a história do próprio edifício”, referindo mesmo que “uma pessoa que não seja de cá e ali chegue, acha o edifício interessante mas não percebe que edifício é aquele nem que papel aquele edifício desempenhou na história local, regional, nacional, internacional.”

“Vamos integrar o edifício na sua história e isso não é possível fazer sem a envolvente”

A Diretora do Museu explica que é intenção da Fundação “integrar o edifício na sua história e isso não é possível fazer sem a envolvente. E a envolvente tem lá, como os mais velhos se lembrarão, de forma mais ou menos perceptível, a muralha seiscentista. A história da restauração, momento tão importante para Vila Viçosa e para Portugal, mas que de alguma forma só está presente através da estátua de D. João IV no Terreiro do Paço e por isso cá está, aquilo que vamos fazer é iniciar a requalificação museológica através da museografia do castelo mas num momento seguinte, e estas coisas levam tempo, vamos começar a trabalhar com uma equipa pluridisciplinar naquilo que tem de ser também a intervenção da envolvente.”

“Não é um processo nem para um dia nem para um ano, mas vamos entrar nele com a certeza de que é o melhoramento necessário”

Questionada se serão intervenções a realizar a longo prazo, Maria de Jesus Monge salienta que “isto não é para ser feito num ano, não faço ideia de quanto tempo é que isto pode demorar, porque além de implicar estudos, levantamento topográfico, de implicar grandes mexidas no coberto vegetal, há o conteúdo arqueológico que tendo em conta o subsolo de Vila Viçosa não poerá ser muito significativo, porque é pedra, mas é uma etapa que terá de ser passada, e claro sendo isto monumento nacional e tendo uma importância patrimonial significativa vai ter obrigatoriamente de ter as necessárias autorizações superiores. Portanto não é um processo nem para um dia nem para um ano, mas vamos entrar nele com a certeza de que é o melhoramento necessário e que já vem sedo necessário de algum tempo para cá.”

“Neste momento é um espaço agradável para passear, pouco mais…”

Relativamente às intervenções a serem feitas, a Diretora do Museu esclarece que “quando falamos de castelo falamos de forma mais abrangente, não é só alcáçova, não é só o espaço contido dentro da muralha pseudo-medieval, é todo o morro do castelo que é o elemento fundador, o elemento identitário mais importante desta vila”, acrescentando ainda que “aquilo que se pretende, ao requalificar o espaço, dar-lhe leitura, portanto permitir aos calipolenses e a quem nos visita perceber a história daquele espaço e as histórias que ele tem para contar. Neste momento é um espaço agradável para passear, pouco mais…e portanto aquilo que entendemos é que a história que ali está, eu diria quase escondida, merece ter outro tratamento e o número de visitantes, que Vila Viçosa e o Paço têm, e tem crescido de forma muito consistente ao longo dos últimos anos também no castelo, que tem vindo a despertar curiosidade em número crescente de pessoas, faz sentido criar ali condições para melhor usufruição do espaço mas que passa por isso mesmo, por evolver muita da importância histórica e tradicional que aquele espaço tem tido.

Sobre possíveis candidaturas a financiamentos comunitários para a realizações destas intervenções a responsável afirma que “este tipo de projectos são pesados do ponto de vista do investimento e do que isso significa no comprometimento, mas como lhe digo isso são questões administrativas que me ultrapassam, felizmente.”

“Temos, felizmente, um conjunto patrimonial muito vasto mas também, eu quero acreditar, está conservado”

Questionamos Maria de Jesus Monge sobre, que outro património da Fundação poderia ser intervencionado após a conclusão do Castelo, tendo esta dito que “temos, felizmente, um conjunto patrimonial muito vasto mas também, eu quero acreditar, está conservado. As duas igrejas, dos Agostinhos e das Chagas, e todo o conjunto do Paço Ducal”, no entanto salienta que “fará sentido aprofundar no futuro é o trabalho de organização do todo, ou seja, deixar de ter três ou quatro pontos desgarrados e atribuir ao conjunto uma unidade que ele sempre teve e que aliás é isso que torna Vila Viçosa tão especial.”