Há 4 anos o Fabrico do Chocalhos era classificado Património Imaterial da Humanidade. Veja o vídeo do fabrico do Chocalho (c/video)

Foi há precisamente 4 anos, que o fabrico de chocalhos foi inscrito na Lista do Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, pela UNESCO.

Coordenada pelo antropólogo Paulo Lima, a candidatura, de âmbito nacional, foi liderada pela Turismo do Alentejo e Ribatejo, em colaboração com a Câmara Municipal de Viana do Alentejo e a Junta de Freguesia de Alcáçovas.

Apesar de não haver registos para a data de inicio do fabrico do chocalho, sabe-se que se iniciou na Freguesia de Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo, no entanto sabe-se que no século XVIII existiam um considerável numero de chocalheiros, sendo que, esta arte começou a decair a partir do meio do século XX e, hoje, existe apenas uma empresa a laborar, a empresa “Chocalhos Pardalinho”.

Segundo a autarquia de Viana do Alentejo, “desde a atribuição do selo da Unesco, é de salientar que, a nível sócio económico, esta empresa registou um crescimento do número de postos de trabalho (14 actualmente), fruto do aumento da procura de chocalhos. Também a nível turístico os efeitos se fizeram sentir. Se anteriormente as visitas à fábrica eram esporádicas, com o selo da Unesco o número de visitas aumentou consideravelmente, contribuindo para a dinamização do concelho.”

Já este ano, em Julho, com vista à salvaguarda desta arte secular, transmitida ao longo de gerações, foi inaugurada no âmbito do Projeto Museografia do PAGUS, no Paço dos Henriques, em Alcáçovas, a exposição permanente dedicada ao fabrico de chocalhos, que procura responder a uma série de questões, nomeadamente a história do edifício, o que é o chocalho, para que serve, quem o fez e quem o faz, e o que é o património imaterial.

A exposição que ocupa o 1º piso do Paço dos Henriques está dividida em 3 partes: a primeira sala é dedicada ao fabrico de chocalhos, a segunda à paisagem sonora e sensorial que os chocalhos produzem e, a terceira sala, aos mestres chocalheiros. A exposição permanente contempla ainda 3 outras salas dedicadas ao conjunto artístico-arquitectónico, ao património e à memória oral, onde o visitante é convidado a depositar uma história biográfica.

De salientar que o projecto é suportado por uma plataforma digital (www.pagus.pt), cujos conteúdos estão dispersos de forma autónoma, pela exposição em mesas digitais ou em QR-Codes (código de barras) no exterior. Esta plataforma é suportada por uma base de dados que aloja cerca de 30 000 registos de diferentes tipologias patrimoniais: natural, cultural (imóveis, objectos e imateriais) e documental.

A classificação do fabrico de chocalhos ajudou a valorizar este património único e a salvaguardar esta arte tão singular, contribuindo para o desenvolvimento local e para a dinamização turística da região. Enraizada nas nossas tradições, esta arte constituí uma marca identitária não apenas de Alcáçovas, mas da região.

(Fonte: Município de Viana do Alentejo)