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Liga para a Protecção da Natureza denuncia casos de “má gestão da paisagem costeira” no Litoral Alentejano

A Liga para a Protecção da Natureza veio a público, recentemente, manifestar-se conta a alegada má gestão da paisagem costeira e da cedência aos interesses económicos.

A Liga começa por afirmar que “em pleno 2020, as construções desregradas na costa portuguesa continuam a ser a regra. Apesar de estarmos perfeitamente cientes da vulnerabilidade do litoral – nomeadamente perante as alterações climáticas –, a sua preservação continua a ser assaltada por hotéis e projectos que usurpam dunas e falésias em nome do turismo e da produção agrícola.”

No manifesto a Liga refere que há uma “permissividade legislativa que continua a promover o desordenamento do território e a perda do nosso património paisagístico e ambiental. Os interesses económicos fazem-se valer de leis e planos flexíveis, alguns desenhados a dedo para acolher empreendimentos recheados de impactos e ilusões.”

No Litoral Alentejano a Liga para a Protecção da Natureza destaca “os milionários planos de construção de empreendimentos turísticos nas cobiçadas dunas de Tróia e na Comporta, a costa mais selvagem da Europa; e o avanço desmedido das estufas no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.”

Para além de acusar o Governo, a Liga diz existir “uma certa incapacidade das associações de defesa do ambiente para enfrentarem, individualmente, todos estes problemas de uma forma integrada. Além da asfixia a que são frequentemente sujeitas por falta de apoios à sua actividade, a própria forma de participação formal e intervenção – através do portal Participa – é ainda limitada por prazos apertados, que decorrem do desrespeito por sucessivos Governos dos prazos inicialmente indicados pela Comissão Europeia.”

A Liga conclui afirmando que “a conservação da Natureza não é uma barreira ao desenvolvimento socioeconómico. É fundamental desmistificar e negar esta ideia e esclarecer que a conservação da Natureza permite sim salvaguardar um património de valor incalculável do qual todos dependemos, directa ou indirectamente. Não está assim em causa um radicalismo irracional de defesa do ambiente, mas antes uma consciência de que é possível, desejável e necessário alcançar um modelo de sustentabilidade e a coerência na conservação da faixa costeira portuguesa e dos seus valores únicos.”

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