“Marca qualquer criança e nunca se esquece na cabeça de qualquer adulto”, diz António Recto na exposição sobre educação no Estado Novo (c/som e fotos)

Foi inaugurada, este domingo (20 de Janeiro),no Foyer do Centro Cultural de Redondo a exposição “A educação no período do EstadoNovo”.

Um espaço de memórias assente nos pilares daeducação portuguesa do Estado Novo: Deus, Pátria e Família e onde se pretendereconstruir uma sala de aula da época, relembrando ainda as escolas do concelhode Redondo, alguns alunos e professores desse tempo.

ODigital.pt falou com o Presidente da CâmaraMunicipal de Redondo, António Recto, que explicou o objetivo desta exposiçãoreferindo que “retrata o ensinocompreendido entre 1933 e 1974, com as escolas a funcionar, que era aquilo queo concelho tinha na altura, com as historias dos professores, dos alunos, masacima de tudo, também está retratado nesta exposição qual era o sistema deensino que existia nesse período”, realçando ainda que “é extrema importância, porque faz parte danossa historia recente e nunca é demais recordar, (…) até estou na expetativapara ver qual é que vai ser a reacção dos alunos das nossas escolas de hoje,que vêm visitar a exposição agora nos próximos dias e certamente há algumascoisas que eles até vão meter em duvida, ou pelo menos vão questionar a formacomo as escolas funcionavam, qual era o poder do professor, o respeito quehavia pelo professor, que às vezes respeitava-se mais o professor que serespeitava o pai e tudo isto se perdeu, também compreendo que era exagerado naaltura, mas aquilo que assistimos hoje é totalmente diferente do que era nessa épocao sistema de ensino.

Sobre o paralelismo feito, no momento dainauguração pelo autarca, entre a educação do Estado Novo e a actual AntónioRecto refere-nos que a “matéria deeducação no nosso país foi sempre problemática, se na altura do Estado Novo haviauma rigidez excessiva em matéria de ensino, hoje há uma rigidez excessiva emmatéria de formadores e os professores a meu ver têm sido vitimas deste sistemade ensino e desvalorizados, e quando se desvaloriza um bom técnico, certamenteque os resultados nunca são aqueles que nós pretendemos, porque a primeiracoisa a valorizar é o técnico e a partir daí com certeza temos o direito deexigir resultados”, acrescentando que “comoreferi [na inauguração] salvo erro a palavra professor foi a segunda que maisse falou e mais se escreveu durante o ano de 2018, pela parte negativa, e issoquer dizer que algo está mal no nosso país.”

Na inauguração desta exposição, estiveram presentes alunos e professores da época, tendo o Presidente da Autarquia Redondense reencontrado o seu professor, “um dos meus professores da segunda classe, que é o professor Quinteiro, que já não via há algum tempo, embora resida aqui bastante perto, em Vila Viçosa, mas foi com bastante agrado que recordamos aqui algumas coisas, até porque nesse ano em vez de ter dois meses de férias, tive quatro, porque estive à espera que ele viesse do Ultramar para vir dar aulas para o Redondo e são coisas que nós nunca mais nos esquecemos, (…) até porque foi meu professor até à quarta classe, tive três anos com ele e isto marca, marca qualquer criança e nunca se esquece na cabeça de qualquer adulto.”