“Marvão sem castanheiros era completamente diferente, não tinha esta singularidade”, diz autarca (c/som e fotos)

A Casa do Povo de Porto da Espada recebeu, esta quinta-feira, 7 de Novembro, um Dia Aberto dedicado aos castanheiros e à produção de castanha, subordinado ao tema “Os novos desafios do souto no contexto das alterações climáticas”, um evento que decorreu no âmbito da XXXVI Feira da Castanha – Festa do Castanheiro, de Marvão.

A sessão de abertura contou com a presença do presidente do Município de Marvão, Luís Vitorino, e de José Gomes Laranjo, presidente da RefCast – Associação Portuguesa da Castanha.

No primeiro Dia Aberto ClimCast, realizado em Marvão, foram abordados diversos temas como a gestão do souto, a produção da castanha e os seus constrangimentos, até ao delineamento de novas oportunidades para a castanha portuguesa.

ODigital.pt esteve presente neste dia aberto e falou com o Presidente da Câmara de Marvão, Luís Vitorino, que começou por dizer é importante o estudo da castanha e do castanheiro “temos aqui académicos que têm conhecimento científico e de investigação que é muito importante passar para os produtores e para quem lida com a questão do castanheiro e anda no terreno.”

O edil de Marvão refere que “hoje temos um novo desafio que é as alterações climáticas, na questão do castanheiro, que aqui em Marvão também se faz sentir, e isto traz novas doenças, novas pragas, temos de estar despertos para essa situação para que a castanha continue a haver em Marvão”, acrescentando que “Marvão tem um potencial enorme na castanha, esta castanha chega primeiro do que as outras, é numa altura em que ainda não há castanha no mercado e esta castanha reflecte-se em euros, porque tem um preço acima da média. Nesse sentido, tem um peso económico para a região, são euros que ficam em Marvão, são euros que ficam na economia local. Depois é a paisagem, a questão do turismo, tudo isto à volta dos castanheiros. Marvão sem castanheiros era completamente diferente, não tinha esta singularidade. Os castanheiros fazem parte da génese desta região e é nessa perspectiva que a Câmara Municipal está inserida na RefCast e vai continuar com outros projectos a entrar nestas parcerias, porque é muito importante para o futuro do castanheiro e da região.”

Sobre o crescimento da área de castanheiros na região de Marvão, o autarca salienta que “cresceu significativamente, em Marvão, fruto das políticas que a câmara municipal foi desenvolvendo. Aqui estaremos para dar continuidade a essas políticas. A área de castanheiro é importante que cresça porque são euros que ficam, hoje temos castanheiros com mais qualidade, com outras variedades também e mais resistentes às doenças que é o que se está aqui a propor com novas tecnologias, com a questão da rega.”

Luís Vitorino revela que “em Marvão a lacuna que temos é não ter uma estrutura para fazer a primeira parte da transformação que é a calibragem e limpeza e desinfecção da castanha. Iremos trabalhar nisso, poderá ser um dos projectos do futuro, a instalação de uma primeira linha de transformação, em Marvão.”

Sobre que tipo de projectos tem o município para apoio dos produtores de castanha, o Presidente da Câmara de Marvão refere que “neste momento estamos na RefCast e temos o ClimCast e estamos despertos a novas medidas e projectos que abram, podemos arranjar uma forma ou uma parceria para poder instalar aqui uma linha de transformação da castanha que é a lacuna que existe para que a castanha seja mais valorizada”, concluindo que “estaremos também preparados para entrar em algum programa que abra na questão dos antibióticos e na questão das pragas, porque também é importante dar conhecimento.”