A Câmara Municipal de Sousel pretende devolver a função hoteleira à antiga Pousada de São Miguel e já iniciou contactos com promotores interessados na recuperação do edifício, após a conclusão do processo de aquisição do imóvel ao Turismo de Portugal.
A intenção foi revelada ao Jornal ODigital.pt pelo presidente da Câmara Municipal de Sousel, Manuel Valério, que apontou a reativação da atividade turística como a principal prioridade para aquele espaço, encerrado desde 2010.
Processo demorou vários anos
Segundo Manuel Valério, a aquisição do imóvel resulta de um processo iniciado durante o mandato do anterior executivo municipal, quando foi celebrado um contrato de arrendamento com o Turismo de Portugal que previa uma opção de compra ao fim de cinco anos.
«Uma das decisões mais bem tomadas por parte do executivo foi a aquisição daquele imóvel que é um ex-líbris do nosso município», afirmou o autarca.
O presidente explicou que a autarquia acionou a cláusula de compra prevista no contrato, mas o processo prolongou-se durante vários anos devido aos procedimentos administrativos necessários, incluindo aprovações em reunião de Câmara e Assembleia Municipal, obtenção de financiamento e visto do Tribunal de Contas.
«A burocracia é muita e demorou quase cinco anos», referiu.
Hotelaria continua a ser a prioridade
Com a aquisição formalizada, o município procura agora investidores capazes de recuperar o edifício e devolver-lhe a utilização original.
«Já estamos à procura de promotores e de investidores que realmente possam vir a recuperar aquele espaço e voltar-lhe a dar a vida que tinha no passado», afirmou Manuel Valério.
O autarca revelou que já decorreram contactos com dois promotores que se encontram a analisar o projeto. Entre as hipóteses em estudo está a manutenção da função hoteleira, podendo ser equacionadas adaptações ou ampliações que permitam viabilizar economicamente o investimento.
«O primeiro foco do município é realmente que aquilo volte a ter a vida que tinha, que era a parte hoteleira», sublinhou.
Edifício permanecerá propriedade municipal
Manuel Valério adiantou ainda que a intenção da autarquia passa por manter a propriedade do imóvel na esfera municipal, mesmo que a exploração venha a ser entregue a privados.
Segundo explicou, a solução poderá passar pela celebração de contratos de arrendamento de longa duração, entre 30 e 50 anos, permitindo aos investidores recuperar o capital aplicado na reabilitação do edifício.
«O edifício será sempre do município. Pelo menos é essa a ideia que temos», afirmou.
O presidente da Câmara considera que esta solução permitirá garantir uma maior proteção do património, evitando situações de abandono ou degradação semelhantes às verificadas após o encerramento da unidade hoteleira.
Caso não surjam desenvolvimentos no âmbito da hotelaria, a autarquia admite analisar outras utilizações para o espaço, embora a prioridade continue a ser a recuperação da sua vocação turística.

















