No Alentejo ainda há utentes sem médico de família. Apesar dos concursos abertos “essas vagas não são preenchidas”, afirma Presidente da ARS (c/som)

Nas últimas semanas muito se tem falado da falta de médicos no interior do país e em várias unidades de saúde. São também, ainda, muitas as pessoas no Alentejo sem médico de família, no entanto, os concursos abertos pelo Ministério da Saúde, para a contratação de profissionais de saúde, continuam a ficar com muitas vagas por ocupar.

ODigital.pt falou com José Robalo, presidente do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde do Alentejo, para saber o porquê desta situação ainda se verificar, tendo referido que “dificuldade tem haver com aquilo que é conhecido que é a fixação dos médicos nesta região. Os médicos, abrimos 2 concursos anuais, com vagas para o norte alentejano, como para outros espaços do país, mas por norma essas vagas não são preenchidas.”

Esta situação “significa que os médicos ainda têm outras alternativas que lhes permitem escolher outros espaços e não estes espaços do interior, que provavelmente não conhecem, que é esse o meu entendimento. Porque a qualidade de vida aqui não se compara, em nada, com aquilo que são os grandes centros urbanos. E, portanto, acho que é mais por desconhecimento que eles não se fixam na nossa região”, acrescentou o presidente do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde do Alentejo

Questionado sobre o que tem sido feito para colmatar esta falta de Médicos, José Robalo diz que “temos feito prestações de serviço que nos garantam a continuidade dos cuidados. Não é aquilo que nós queremos. Queremos ter médicos de famílias para todos os alentejanos, mas enquanto não tivermos, a alternativa é continuarmos a contratação de serviços com médicos que nos garantam os cuidados dentro daquilo que consideramos que é o nível de qualidade exigível.”

Apesar destas prestações de serviço, ainda existem pessoas sem medico de família no Alentejo, tendo José Robalo dito que “neste momento já não existe um número muito significativo, existe particularmente no litoral alentejano, onde existe uma dificuldade maior, mas no baixo Alentejo, Alentejo Central e Alto Alentejo, as coisas estão razoavelmente cobertas. Embora existam duas regiões que são talvez as mais carenciadas, uma delas o norte alentejano e outra o litoral alentejano, particularmente este último onde existe mais carência de médicos de família.”