O 1º de Dezembro “não é de nenhuma entidade particular”, “diz respeito a todos os portugueses”, diz Carlos Filipe do CECHAP (c/som e fotos)

De forma a assinalar o Dia da Restauração da Independência, o Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património (CECHAP) promoveu, em Vila Viçosa, um conjunto de actividades relacionadas com esta temática.

Depois de uma conferência subordinada ao tema “Virgem da Conceição, valeime: Virgem da Conceição, Acodime”, no dia 23 de Novembro e da uma outra conferência sobre a “A infanta D. filipa de Bragança”, que foi ministrada por Paulo Drumond Braga (IECCPMA / Univ. de Lisboa), no dia 1 de Dezembro decorreu, de manhã, uma Deposição de uma coroa de flores junto à Estátua de D. João IV, pelo regimento de Cavalaria 3, de Estremoz e uma arruada da Banda da Sociedade Filarmónica União Calipolense.

Pela tarde decorreu uma conferência sobre “A Iluminação dos palácios nos 200 anos de D. Maria II” – por António Costa (ARTIS), a que se seguiu a inauguração da exposição “Retratos de Bolso”, na Galeria Aqui d’El Arte, onde se mostram medalhas com os retratos do rei D. João IV e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, da autoria de Carlos Pernas.

“Isto não é de nenhuma entidade particular, o 1º de Dezembro, o dia da Restauração da Independência diz respeito a todos os portugueses.”

No final destas actividades ODigital.pt falou com Carlos Filipe, do Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património (CECHAP), que nos começou por dizer que “retomámos no ano transacto esta iniciativa de lembrar a todos os portugueses de que o 1º de Dezembro pertence a eles. Isto não é de nenhuma entidade particular, o 1º de Dezembro, o dia da Restauração da Independência diz respeito a todos os portugueses.”

“Não estamos aqui para fazer renascer nada, nenhuns sentimentos, agora que o dia pertence a todos os portugueses é verdade”

Carlos Filipe explica que “podemos falar porque houve uma revolução que repôs a legalidade do país. Depois desse grande acontecimento histórico no Séc XVII, hoje estamos habilitados a poder celebrar desta forma. Do ponto de vista da nossa actividade, enquanto centro de investigação ligado à história do património, o que pretendemos é exactamente valorizar o tema do ponto de vista da história, das artes e do ponto de vista cultural. É isso que nos importa! Não estamos aqui para fazer renascer nada, nenhuns sentimentos, agora que o dia pertence a todos os portugueses é verdade. Que este dia diz particularmente, e com uma importância particular, a Vila Viçosa diz.”

“achamos que as entidades que têm ligação directa com o património e com história têm o dever de celebrar”

Questionado sobre o facto de esta data estar um pouco esquecida em Vila Viçosa, o historiador explica que “nós não vivíamos o 1º Dezembro em Vila Viçosa há muitos anos. Sabemos que a banda filarmónica era a única entidade que com a sua actuação deixava a chama e lembrança particular deste dia. Mas não era suficiente”, acrescentando que “achamos que as entidades, todas elas, vivas , as entidades directas, que têm ligação directa com o património e com história têm o direito e dever de celebrar e lembrar a todos os portugueses, de que hoje somos uma nação livre, com direito próprio, direito internacional e de que não estamos pendurados em qualquer outra entidade independente internacional, a não ser o livre cumprimento enquanto nação.”

Carlos Filipe lembra que celebrar esta efeméride, “revela a identidade do povo português. Somos como muitos dizem, uma nação com quase mil anos. Mas é verdade que ao longo destes séculos houve momentos particulares de grande dificuldade. Nunca tivemos um pleno crescimento de convivência integral sem existirem escaramuças, conflitos, aquilo que ocorreu ainda no final do século XVI, em 1580, em que tivemos uma perda de soberania para o nosso vizinho de Castela. E é por isso que hoje celebramos essa ocupação castelhana em Portugal embora hoje, os estudos evidenciem uma importância da monarquia dual, e foi realmente uma monarquia dual, talvez a maior monarquia católica existente em todo o mundo.”

“Tudo o que é produzido em termos de ciência, é dá-la a conhecer e não nos queremos desviar desse caminho”

Sobre o papel do CECHAP na valorização e preservação desta identidade, Carlos Filipe deixa claro que “tudo o que é produzido em termos de ciência, é dá-la a conhecer e não nos queremos desviar desse caminho e desse rumo e estamos de certa forma a contribuir para melhor conhecimento e maior cultura em termos de Vila Viçosa”, acrescentando que “o CECHAP está sediado em Vila Viçosa, não é um centro para Vila Viçosa mas para todo o território nacional, nós participamos em muitas actividades e eventos, quer académicos quer culturais, um pouco por todo o país e por muitos países. Mas como estamos em Vila Viçosa temos o compromisso de tudo fazer para valorizar este concelho. E isso acho que as entidades que administram o concelho devem ter em conta se efectivamente interpretarem que este é o nosso sentimento.”