“O Alentejo precisa de pessoas e para termos pessoas temos que desburocratizar”, diz Manuel Valadas, do Movimento Melhor Alentejo (c/som)

A vila de Alandroal, no distrito de Évora, recebeu na passada terça-feira (12 de Março) um evento, onde se debateu as potencialidades do Alentejo.

Um evento que contou com a presença de Manuel Valadas, Porta-voz do Movimento de Cidadania Melhor Alentejo, que na sua intervenção destacou as potencialidades da região Alentejo, bem como também as deficiências existentes no território.

ODigital.pt falou com Manuel Valadas, que começou por referir que “esta iniciativa é positiva porque traz um conjunto de especialistas para falar sobre uma coisa a que os alentejanos não estavam habituados, a água, e isso é uma mudança de paradigma porque o nosso Alentejo era de sequeiro, digamos assim”, acrescentando que “é preciso mais, o Alentejo precisa de pessoas e para termos pessoas temos que desburocratizar muitas coisas para que as empresas e os empresários venham para o Alentejo e temos essencialmente que ter a coragem de investir, o investimento público tem de aceitar isso de forma séria em termos de coerência e coesão nacional, a possibilidade de termos mobilidade no Alentejo para trazermos pessoas e levarmos pessoas.

Sobre as deficiências ainda existentes no Alentejo, o Porta-voz do Movimento de Cidadania Melhor Alentejo diz que “não temos comboios, os seus colegas de Lisboa mais urbanos dizem que o Aeroporto de Beja é muito longe, só quem não viajou pela Europa, e na minha actividade profissional tive essa vida durante anos, sabemos que mais e 80% das cidades não têm o aeroporto dentro da cidade. Às vezes precisamos e 45/50 minutos ou mais para ir para o centro da cidade. Beja bastava ter a linha modificada e electrificada para que com a última geração de Alfa Pendulares as pessoas em 50 minutos tivessem no Parque das Nações. Eu que morei na zona de Colares demorava, de carro, duas horas para chegar a Lisboa enquanto de Beja, numa situação deste tipo se leva 50 minutos. Portanto estar longe é uma falácia, não é sério, não é responsável.” Já sobre potencialidades do Alqueva, Manuel Valadas, salienta que “é nessa direcção que temos as nossas preocupações, aproveitar todas as potencialidades que tem, nomeadamente o Alqueva. Como eu dizia investiram-se 2 mil e 500 milhões mais 63 milhões, podíamos ter um projecto em simultâneo para modernizar as infraestruturas porque se produzem-se produtos extraordinários é preciso fazê-los chegar às capitais europeias. Agora se não temos ferrovia e as estradas estão muito difíceis há uma certa descontinuação empresarial. Temos de fazer mais pelo Alentejo para aproveitar as suas potencialidades mas isso está muito centrado no poder político para tomar essas decisões.