“O INEM até hoje não nos forneceu um único de EPI”, afirma representante dos Bombeiros do Distrito de Évora (c/som)

Com a chegada da pandemia da Covid-19 o país praticamente parou, no entanto há instituições que aconteça o que acontecer, continuam a funcionar de forma a garantirem o socorro das populações, tais como, nomeadamente, os Bombeiros Voluntários.

Os Bombeiros que têm estado na linha da frente na resposta à atual pandemia, no entanto tem-se verificado alguma falta de apoio por parte do INEM, no que diz respeito a equipamentos de protecção individual, como nos relatou o Presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora, Inácio Esperança.

Inácio Esperança explica como têm sido estas semanas desde o inicio da pandemia, referindo que “para os bombeiros têm sido momentos de trabalho, no âmbito da pandemia, apesar de inicialmente termos sido excluídos das entidades com quem se fizeram protocolos para apoiar as vitimas de covid-19, mas o que é certo é que desde a primeira hora tiveram de ser os bombeiros a dar resposta a maior parte dos casos.”

O Presidente da Federação salienta que no início houve muitas dificuldades “em termos de equipamentos de protecção individual e em termos de proteção e informação, as coisas passaram um bocadinho ao lado dos bombeiros em termos de informação, mas agora, a pouco e pouco têm se indo arranjando, ou pelo menos temos mais informação.”

Um dos efeitos da pandemia, foi a quebra dos serviços de transporte que os Bombeiros realizavam que segundo Inácio Esperança, “diminuiu em alguns casos 80 a 90%, outros casos 70%, a média do distrito deve andar à volta entre 60 a 65% de perda e para lhe dar alguns exemplos, Mourão houve uma semana que teve 97% de perda, Vila Viçosa no mês de Abril teve 70% de perda”, acrescentando que actualmente “há bombeiros em lay-off, começou agora o DECIR ainda a pandemia activa, não tem sido fácil…”

Continuamos a transportar uma média de 40 suspeitos de covid-19 por semana, e isso implica um gasto grande de EPIs e de sublinhar que o INEM até hoje não nos forneceu um único de EPI e aquilo que diz é que no contrato que temos com eles existe uma verba para outro tipo de equipamento, que são 2 euros, que em abril não dava para comprar uma máscara”, lamentou Inácio Esperança.

Questionado se com esta falta de apoio pode estar em causa a boa relação entre o INEM e os Bombeiros, Inácio Esperança, refere que “não se trata de pôr em causa a relação, mas é de facto de repensar, há que repensar esta relação e os protocolos que temos com os INEM, pois o INEM precisa dos Bombeiros, mas mais importante que isso, a população precisa dos Bombeiros a trabalhar para o INEM”, reafirmando que “não há outra instituição em Portugal que possa fazer a emergência pré-hospitalar no número que nós fazemos diário, que não sejam os Bombeiros”, mas garante que “não está em causa a nossa relação com o INEM, até porque a nossa relação com o INEM é essencial para as pessoas, o que está em causa é o tipo de relação que temos e a forma como estão os protocolos redigidos e isso sim depois tem de ser revisto.”

Já sobre a quebra de rendimentos as Associações de Bombeiros devido à pandemia, Inácio Esperança afirma que “em muitos casos vai ser muito difícil ultrapassar esta fase, o único apoio que tivemos do governo foi o adiantamento das transferências que nos faz mensalmente, que nuns casos são 2 mil euros, noutros 3, noutros 4, que são despesas de funcionamento, que depois nos vai fazer falta nos meses de Julho e agosto, que é quando toda esta crise, em termos de facturação vai cair nas associações.”

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