Portalegre: “Enquanto houver vagas abertas em sítios mais aprazíveis, é lógico que temos dificuldade” em contratar médicos (c/som e fotos)

O Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, celebrou esta sexta-feira (27 de Dezembro) o seu 45º aniversário.

A cerimónia comemorativa decorreu na Sala de Conferências deste Hospital, na qual marcaram presença o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, Hugo Hilário, o presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Alentejo, José Robalo, o presidente do Conselho de Administração da ULSNA, João Moura dos Reis, bem como vários autarcas do Alto Alentejo, entre outras entidades locais e regionais.

Um acto que ficou ainda marcado pela assinatura de protocolos com os municípios de Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Marvão, Ponte de Sor e Portalegre.

ODigital.pt marcou presença e falou com o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, João Moura dos Reis, que começou por falar nos desafios que enfrenta o Hospital José Maria Grande, que são nomeadamente “a prestação de serviços de saúde à população do distrito de Portalegre”, clarificando que “o Hospital José Maria Grande está integrado na Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano que integra uma série de serviços. E ao mesmo tempo integra os cuidados de saúde primários, os cuidados hospitalares, cuidados continuados assim como os cuidados paliativos. E isto acaba por ser uma forma organizativa muito mais fácil de organizar pela facilidade com que o doente pode fluir dentro do sistema.” Garantindo que é um sistema “muito mais fácil do que naqueles sítios em que o doente tem primeiro de ir aos cuidados de saúde primários, depois aos cuidados hospitalares e por aí fora… Portanto isto é um desafio, a verdadeira integração, inclusivamente pelos profissionais e aos mesmo tempo os profissionais assumirem este mesmo conceito de integração que permita que o doente flua dentro do sistema.”

Outro dos desafios que são colocados ao Hospital de Portalegre são “os aspectos científicos como por exemplo melhoria de equipamento, de instalações, melhor funcionalidade em termos energéticos, mas isso são obras que iremos fazer e foram anunciadas e oficiadas aqui na sessão. Iremos ter o ano de 2020 com esse tipo de actuação. Neste momento o principal desafio acaba por ser a integração dos cuidados de saúde concentrada no doente de forma a que ele flua pelos quatro tipos de serviço que existem.”

Sobre o alerta que fez publicamente sobre a falta de médicos e a sua fixação no interior do país, João Moura dos Reis refere que “nós não podemos escamotear a falta de médicos, e como sabe há dois concursos de médicos por ano, há o concurso normal de Janeiro e há o de Outubro. É a forma de colocar médicos, estamos a falar de colocar médicos através de contrato individual de trabalho ou através de contrato de funções públicas, é através destes concursos”, acrescentando que “aquilo que tem acontecido é que tem havido menos candidatos do que vagas. Esperemos que a partir de agora haja tantos candidatos quanto vagas. Ou seja, que não fiquem vagas por preencher. No entanto enquanto houver vagas abertas em sítios mais aprazíveis é lógico que temos dificuldade de poder concorrer com esses sítios. Daí eu ter feito o discurso, neste caso concreto às autarquias, em termos de benefícios sociais de forma a que se criem condições de inserção de médicos e técnicos de saúde nos concelhos mais distanciados do litoral.

Questionado sobre o facto de dizer que há sítios mais aprazíveis para os médicos do que o interior, o responsável refere que a desvantagem do interior na contratação de médicos é “estar longe do litoral, são zonas interiores, e se reparar isto não é um problema de Portalegre. É um problema que vai desde Bragança até lá abaixo, ao Algarve. É uma zona interior com determinado tipo de dificuldades, hoje em dia, as pessoas gostam mais de estar no litoral onde há mais procura em todo o tipo de situações, em que muitas vezes aqui no interior acabamos de usufruir desse tipo de amenidades que no litoral há porque fomos lá de propósito mas as pessoas acabam por não ter lá a qualidade de vida que aqui temos.

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