São “muitos políticos a falarem do interior, com alguma demagogia, e depois nada fazerem por isso”, diz Director da Plataforma Alentejo (c/som e fotos)

O Auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo acolheu, esta quinta-feira, a Convenção do Alentejo, promovida pela Plataforma Alentejo.

Esta convenção foi constituída por três temáticas, nas quais o tema central foi as acessibilidades do Alentejo.

Uma convenção que contou na assistência com os representantes de vários partidos políticos, entre outras entidades locais e regionais, tendo intervindo na sessão de abertura o Presidente da CCDR-A, Roberto Grilo.

ODigital.pt marcou presença e falou com Claudino Matos, Director Executivo da ACOS, Secretariado da Plataforma Alentejo, que começou por dizer que “a convenção surgiu como corolário do lançamento desta plataforma Alentejo, há cerca de um ano atrás, em que foi lançado um estudo feito por técnicos que têm feito assessoria à plataforma, no sentido de reivindicar um conjunto de acessibilidades, que são vitais para o Alentejo, e que têm não só um impacto regional mas nacional e até internacional, dada a nossa proximidade com Espanha.”

“A plataforma  tem feito contactos com uma série de entidades, com partidos políticos, Assembleia da República e Governo, no sentido de chamar a atenção para a importância das acessibilidades, que são vitais pensamos nós e dos técnicos que nos acompanham, a nível quer da rodovia quer da ferrovia. Para servir os grandes investimentos que existem e estão a ser feitos a nível agroalimentar na região do Alqueva, futuramente a agricultura quando a Barragem o Pisão, no norte do Alentejo, for construída, ao nível do porto e Sines e Aeroporto de Beja”, acrescentou.

Claudino Matos, referiu ainda que “neste último ano tem sido chamar a atenção de políticos nacionais mas também de estruturas locais e das comunidades intermunicipais, temos quatro comunidades intermunicipais, e é importante que de alguma maneira elas intervenham nos seus programas regionais mas tendo um foco mais abrangente, não limitando-se só à comunidade intermunicipal mas ser um pouco mais abrangente.”

Questionado sobre se as reivindicações apresentadas e a importância dada pelo poder politico regional e nacional às mesmas, o Diretor da Plataforma refere que “há um desfasamento e alheamento  relativamente ao Alentejo. Porque uma coisa é muitos políticos falarem do interior, com alguma demagogia, e depois nada fazerem por isso. O que nós lamentamos é alguma inércia até por parte de políticos regionais, inclusive até em termos das CIM, pedimos reuniões com as CIM, sabemos que vão acontecer mais tarde ou mais cedo, a verdade é que não houve possibilidade de tentar enquadrar toda esta questão, que é regional, e que não se circunscreve apenas à CIM do Alto Alentejo ou à CIM do Baixo Alentejo.”

 

O também Diretor Executivo da ACOS afirma ainda que “há uma falta de visão de entidades regionais. Porque as comunidades intermunicipais fazem o seu estudo, defendem determinada região dentro do Alentejo, e este modelo de governação que é o que está instituído na nossa república é um bocado redutor no sentido de quando pensamos numa região como é o Alentejo que devido à sua diversidade é a maior do país e com mais problemas.

 

Questionado se a realização desta conceção próximo de umas eleições legislativas não seria um risco, Claudino Matos afirmou que “é um risco mas o objectivo era isso. Como sabe estão aqui representados todos os partidos políticos e todos os potenciais eleitos para a região do Alentejo.”

 

Já sobre uma possível união entre todas os movimentos cívicos existentes de defesa do Alentejo, para um melhor trabalho em prol da região, o Dirigente respondeu que “a Plataforma Alentejo centra-se na questão das acessibilidades porque pensamos que se existirem acessibilidades, muitos dos outros problemas que o Alentejo tem podem ser resolvidos.”