Distinções da UNESCO: O que significam?

O Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, e o conjunto composto pela Basílica, Palácio, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra foram, no passado domingo, considerados Património Cultural Mundial da UNESCO. Braga e Mafra estão de parabéns e, assim, juntam-se a uma vasta lista de locais portugueses.

Esta distinção, mais do que merecida, é um incentivo à preservação e valorização do nosso património cultural, algo extremamente importante e que deve ser uma verdadeira preocupação do Estado.

Do ponto de vista individual, todos nós temos consciência histórica, isto é, memória;

E reconhecemos que aquilo que hoje somos, devemos ao nosso passado, às nossas raízes, às gerações que nos transmitiram o mundo em que actualmente vivemos. Esse deve ser, exactamente, o ponto de partida para uma maior sensibilização para a questão da valorização da nossa História, do nosso património.

Realço, também, que as distinções da UNESCO para com Portugal não têm dito apenas respeito ao património material mas também ao imaterial.

Fado (2011), Cante Alentejano (2014), Dieta Mediterrânica (2013), Fabrico de Chocalhos (2015), Fabrico do Barro Preto de Bisalhães (2016) e os Bonecos de Estremoz (2017), feitos em barro, formam o conjunto de artes nacionais classificadas e reconhecidas pela UNESCO como património imaterial mundial.

Mas, posto tudo isto, o que significam estas distinções para Portugal e, também, para o Estado nas responsabilidades que tem?

Por um lado, é de destacar, na minha opinião, o orgulho que temos que ressaltar em Portugal ser um país muito rico em património cultural, algo que acarreta, também, muitas responsabilidades na preservação e programação desses mesmos bens.

Por outro lado, e não menos importante, existe a necessidade de colocar o património cultural no centro de políticas públicas, pois estamos também a falar de economia, de coesão, e de atractividade do território; O património cultural pode ser um extraordinário activo económico (para as finanças do Estado) social.

O património cultural é de todos e tem impacto no território, no país e na nossa atractividade enquanto destino turístico. A sua preservação é fundamental e deve ser trabalhada a nível nacional, a nível local e também a nível da nossa própria sociedade – consciente desse seu dever.