Extrema-Direita na Europa…

“Aqueles que não conhecem a História estão destinados a repeti-la” já dizia o notável político e filósofo irlandês, Edmund Burke.

Ao longo dos últimos anos a extrema-direita tem ganho terreno um pouco por todo o mundo, sendo que a eleição de Donald Trump em 2016 contribuiu claramente para destapar aqueles que se mantinham escondidos nos seus pensamentos ideologicamente extremistas, e inclusive ganhar novos adeptos. Donald Trump trouxe para o jogo político cartas velhas e bolorentas que não se viam há bastante tempo e acabou por desencadear os nacionalismos mais fanáticos. Um pouco por toda a Europa observamos as movimentações dos extremistas de direita. França com Marrine Le Pen que defende o fim do euro, pena de morte, bloqueio à imigração, em Espanha assistimos ao crescimento do VOX que nas últimas eleições gerais do dia 28 de Abril obteve uns preocupantes 10,26% elegendo 24 deputados prontos para os discursos de ódio contra os imigrantes, discursos nacionalistas com extremo pendor para o franquismo. Na Suécia os Democratas Suecos são a terceira força política e na Finlândia o partido os Finlandeses são a segunda maior força política.

Podíamos continuar por toda a Europa onde a extrema-direita já ocupa lugar em quase todos os parlamentos europeus à excepção de Malta, Irlanda, Luxemburgo e Portugal.

A cada dia que passa assistimos ao crescente aumento dos populismos, extremismos e radicalismos de uma sociedade europeia que cada vez mais defende o individualismo, ao invés do corporativismo e entreajuda entre Estados e povos.

Certamente que os pioneiros da União Europeia não esperariam que passadas mais de seis décadas, a Europa começasse a definhar, onde os nacionalismos e populismos reinam a cada dia que passa. No passado já observamos por bastantes vezes os grandes ódios pelas minorias, seja de origem racial, étnica, de género, nacionalidade entre outras, assente no discurso etnocentrista que incentiva claramente as hostilidades para com o as minorias.

Contudo é importante perceber a razão deste fenómeno que afecta todo o mundo!

Muitos especialistas afirmam que as razões pelas quais a extrema-direita cresce podem estar relacionadas com factores económicos, sociais e culturais, porém alguns politólogos afirmam que nas diferentes sociedades evoluídas existe um certo desconforto com a modernidade, ou seja, os discursos que exaltam os tempos de antigamente onde se defendem os nacionalismos e procuram-se os rancores às “novas democracias” e políticas comuns e de cooperação entre Estados são propícios ao surgimento dos reaccionários que adargam os valores antigos, desvalorizando o presente, ou seja, hic et nunc.

Sempre fui da opinião que a extrema-direita não se combate, nem se trava com a extrema-esquerda, muito pelo contrário. Não podemos combater a extrema-direita com hinos, cânticos, ou palavras que incentivem ou apelem à morte, como aconteceu no desfile do 25 de abril, em Lisboa, quando Mariana Mortágua pediu ao Santo António para levar Bolsonaro para o pé de Salazar. Lamentável.

Na minha visão democrática e republicana é extremamente necessário que os partidos moderados comecem a deixar de lado o que os divide, para abraçar aquilo que realmente os une. Não podemos continuar com os grandes discursos de retórica ideológica, pois os tempos são outros, em que os políticos e partidos xenófobos começam a fazer parte das agendas políticas nacionais e para isso é necessário que os partidos tradicionais aprendam a lidar de forma democrática para que no futuro possamos continuar a fazer história e não repeti-la.