Fumar um gesto que nos destrói

Frequentemente me questiono sobre o início do consumo de tabaco entre os jovens apesar de toda a informação existente e acessível desde o aparecimento das novas tecnologias em que eles são exímios utilizadores. Sei que a identidade de grupo é fundamental e que normalmente é no grupo que o consumo tem inicio, e que o vislumbrar da doença ainda está longe. Então é necessário mais intervenção de proximidade para que seja perceptível a todos a importância de não experimentar.

O tabaco continua a ser um dos factores evitáveis de doenças crónicas não transmissíveis e de mortalidade prematura, mais importante.

O fumo ambiental do tabaco é constituído por uma mistura de mais de 4000 substâncias químicas, das quais mais de cinquenta provocam cancro, e outras tem propriedades tóxicas e irritantes.

A nicotina é uma dessas substâncias e a principal responsável pela dependência. É psicoactiva, tóxica e atinge o cérebro em poucos segundos após a sua entrada na corrente sanguínea, proporcionando a estimulação dos centros cerebrais relacionados com o prazer, o que leva à repetição do gesto de fumar, depois de inalada ou absorvida através das mucosas ou da pele.

Quando os níveis de nicotina no organismo baixam pode surgir dificuldade de concentração, insónia, irritabilidade, aumento do apetite, o que leva a que se fume novamente. Uma vez instalada a dependência, fumar torna-se um gesto automático que muitos fumadores tem dificuldade em deixar.

Os jovens são o grupo mais vulnerável aos efeitos cerebrais da nicotina e à possibilidade de ficarem dependentes. Estudos comprovam que o consumo de tabaco inicia-se na adolescência por volta dos 13 – 16 anos.

Apesar de todo o conhecimento existente quanto aos efeitos da dependência e riscos para a saúde devido ao consumo de tabaco, as pessoas fumadoras e em especial os adolescentes continuam a desvalorizar a gravidade das consequências desse consumo.

O tabaco mata prematuramente!

Contribui para a morte por cancro, por doenças respiratórias crónicas, por doenças do cérebro e cardiovasculares, por infecções respiratórias e por diabetes.

O tabaco contribui ainda para a diminuição da fertilidade. Em 2016 estimou-se que 1 morte a cada 50 minutos foi atribuída ao tabaco. Preocupante!

Muitos não fumadores incluindo crianças e jovens encontram-se expostos ao fumo ambiental do tabaco nas suas próprias casas e no carro, onde as concentrações de poluentes do tabaco são muito elevadas mesmo com as janelas abertas. É importante que as pessoas fumadoras estejam sensibilizadas para que ao fumarem na presença de outros estão a pôr em risco a saúde de todos.

Embora deixar de fumar seja benéfico em qualquer idade, os ganhos são tanto maiores quanto mais precocemente se abandonar definitivamente o consumo de tabaco.

Melhor ainda é não fumar!

Fumar durante a gravidez prejudica a saúde da mãe e do feto, aumentando o risco de atraso no crescimento intrauterino (dentro do útero), descolamento da placenta, baixo peso ao nascer, mortalidade perinatal entre outras. Parar de fumar até às 15 semanas de gravidez tem mais benefícios, mas parar de fumar em qualquer momento da gravidez é sempre benéfico.

Se fumar, ainda está a tempo de melhorar substancialmente a sua saúde. Deixe de fumar!

Mas parar de fumar não é fácil sabemos isso!

É primordial que esteja suficientemente motivado, para o conseguir.

Reforce os motivos para deixar de fumar. Eles são imensos!

Parar de fumar reduz o risco de doença e morte prematura.

Irá sentir gradualmente uma melhoria da tosse pela manhã, uma melhoria no sabor dos alimentos que ingere e no cheiro, uma melhoria da cor e do aspecto da pele.

O cheiro a tabaco no hálito e na roupa desaparecerá, (…)

E poupará dinheiro que poderá investir em algo mais saudável e que lhe trará mais benefícios.

Mas se sozinho não conseguir, peça ajuda à sua equipa de saúde ou procure uma consulta de cessação tabágica. Pode ser necessário recorrer a outras estratégias ou mesmo ao uso de medicamentos específicos.

Mas pela sua saúde não fume!