Pedrogão Grande uma história moralmente reprovável!

Pedrogão Grande tem sido nos últimos tempos o centro das atenções de todos os portugueses, na sua fase inicial devido aos incêndios de junho de 2017 que deflagraram nesta região e nas localidades vizinhas como Pampilhosa da Serra, Castanheira de Pera, Figeiró dos Vinhos entre outras. Um dos incêndios que contou com quase 53 mil hectares de área ardida, 66 mortos, 254 feridos e um prejuízo material que totaliza mais de 500 milhões de euros.

Quase dois anos depois podemos perceber que várias coisas falharam, nomeadamente, a prevenção e limpeza de terrenos, a falta de mecanismos  prontos a combater o incêndio, a falta de organização, estratégia, e principalmente, a comunicação entre os operacionais que se encontravam no terreno e as populações que tudo faziam para proteger os seus bens, sendo que muitas destas populações perderam a vida ao fugir das infernais chamas  que assim lavravam tudo aquilo que encontravam.  Perante este cenário de sofrimento, angústia e perda os portugueses e não só aderiram a um dos mais massivos atos de solidariedade que a nossa história conheceu, desde programas televisivos, concertos, voluntariado e doações, onde todo o ganho revertia para aqueles que perderam tudo nos incêndios de Pedrogão Grande. Porém é exatamente aqui que a nossa história começa a ser moralmente reprovável.

Começamos a nossa história, abordando as muitas casas que foram construídas depois dos incêndios, cujo objetivo era alojar aqueles que perderam as suas principais habitações, das quais a sua reconstrução estava ao encargo do Estado através do fundo REVITA e de mais algumas entidades privadas. Algumas destas casas não eram consideradas de primeira habitação, nem de segunda e muito menos podemos chamar habitação a ruínas com décadas de existência. Contudo estas habitações que estavam completamente degradadas antes do incêndio, foram construídas de raiz com tudo aquilo a que uma habitação tem direito, sendo que certas casas que foram reconstruídas eram de familiares do executivo camarário de Pedrogão Grande, onde , claramente, houve benefícios e omissão de dados e informação para que as suas ruínas ou barracões passassem a ser habitações de qualidade. Vergonha!

Mas a história não acaba aqui , infelizmente, nos últimos dias tivemos conhecimento dos milhares de donativos que foram doados à Cruz Vermelha Portuguesa e que ficaram guardados nos armazéns da autarquia para fazer um inventário e repartir por aqueles que necessitavam, mas essa mesma autarquia preferiu fazer as coisas de uma outra forma que para além de ser péssima é bastante desprezível para o povo de Pedrogão Grande. A presente autarquia, liderada pelo Sr. Presidente Valdemar Alves escolheu então guardar os donativos materiais dos portugueses através da arte saloia, do chico espertismo, roçando na arrogância de alguém que devia saber que a política é para servir o próximo e não para se servir dela. E não, não são todos iguais!

Falamos, pois, de donativos como frigoríficos, colchões, máquinas de lavar, mobílias entre outras coisas prontas a estrear, mas em vez de se lhes dar o devido uso, o executivo “escondeu” estes mesmos donativos nos Armazéns pertencentes à Câmara Municipal de Pedrogão Grande, os quais só adquiriram um único percurso e destino: o dos amigos e familiares dos membros do executivo, apesar do Presidente Valdemar Alves desmentir tudo isto.

Hoje podemos perceber que ainda existe muita água para correr num território que há pouco menos de dois anos ardia descontroladamente e lançava o pânico entre as populações. Hoje podemos verificar e chegar mesmo à conclusão de que quando se dá uma tragédia semelhante ou igual á de Pedrogão Grande, existem sempre 3 lados. O primeiro é, claramente, o daqueles que perderam tudo… os familiares, a casa e a sua identidade. O segundo lado é o de quem sai beneficiado com a tragédia… os que tinham ruínas antes do incêndio e agora possuem habitações com excelentes condições, cuja “(des)necessidade” lhes auferiu o direito aos donativos materiais dos portugueses pelo facto de cumprirem com o requisito familiar exigido pela autarquia de Pedrogão Grande, ou seja, o da sorte de ser cunhada, primo ou até mesmo filho de um dos membros do executivo camarário. E por último, e não menos importante, encontra-se o terceiro lado que é exatamente o da atribuição de competências e de responsabilidades, onde se enquadra a Câmara Municipal de Pedrogão Grande? Neste momento no domínio do “não vi”, “não sei”, “a culpa não é nossa”, “a responsabilidade é da Cruz Vermelha Portuguesa”, assim sendo e passados dois anos, melhor do que ignorar os factos e toda a sua envolvente, é mesmo ter que admitir que o Presidente Valdemar Alves e o seu executivo, altamente submisso, não iludiram apenas e somente o povo de Pedrogão Grande, mas sim todos os portugueses!