Sem História não há futuro

O passado é essencial para se conseguir perspectivar o futuro. Recentemente foi dada uma maior liberdade às escolas, pelo Ministério da Educação, podendo estas determinar os tempos lectivos de cada disciplina de acordo com as suas especificidades.

Apesar de encontrar nesta decisão algumas vantagens e de concordar com a atribuição de uma maior autonomia relativamente às instituições de ensino, considero que também existem uma série de desvantagens nesta nova forma de gerir os planos curriculares nos ensinos básico e secundário. Prova disso é o que foi referido pela Associação de Professores de História: a disciplina que serve de título a este artigo e a que se refere a mencionada associação é aquela que está a ser mais prejudicada com esta reformulação, existindo, assim, uma desvalorização da História, que viu a sua carga horária ser reduzida a apenas um tempo semanal (por opção de uma grande parte das escolas, segundo os dados disponibilizados pela imprensa, que tomaram tal decisão por, provavelmente, considerarem que de todas as disciplinas a de História é a mais irrelevante e a que merece “chegar aos alunos” uma única vez durante a semana).

Foi com algum espanto que recebi esta notícia, eu que fui aluno de Línguas e Humanidades no ensino secundário, pois considero que a disciplina de História é efectivamente uma disciplina estruturante e muito relevante para desenvolver o pensamento dos estudantes. São muitos os exemplos que temos tido ao longo da História da Humanidade que nos mostram como a mesma é cíclica e como é importante compreende-la precisamente para progredirmos e para que o nosso futuro seja cada vez melhor.

Esta constante desvalorização das ciências sociais e humanas, que se tem manifestado não só na redução dos tempos lectivos mas também nos reajustamentos dos programas das disciplinas e num certo “desincentivo” da opção por um percurso escolar mais ligado às humanidades apresentará, na minha opinião, consequências negativas para as gerações que estamos a formar e educar – tal como já apresentou para a minha geração e para outras anteriores.

Achei que este era um tema interessante para abordar neste meu primeiro artigo para “O Digital.pt”, tendo em conta que nos próximos irei escrever sobre temas de matriz histórico-cultural.