Um Presidente que arde com a Amazónia

Ao longo dos últimos dias deparamo-nos com inúmeros incêndios que devoram toda uma biodiversidade que ocupa 40% do território brasileiro, apelidada de Amazónia. Os focos de incêndio registados no dia 24 de agosto são mais de 25 mil, o que o torna o pior mês dos últimos 21 anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Contudo, o problema com o bioma amazónico, infelizmente não é de agora, existindo há bastante tempo com a desflorestação severa, exploração mineral e comercialização internacional de recursos biológicos, estando esta última em desacordo com a conduta adotada pela Convenção sobre Diversidade Biológica de 1992. Todos estes atos humanos têm contribuído para graves mudanças climáticas em todo o mundo, não sendo possível esquecer que 16% da área do bioma amazónico já foi devastada. É importante destacar que estes últimos incêndios não ocorreram agora, só e inclusivamente pela seca extrema que a Amazónia tem passado e por o aumento do aquecimento global, mas também porque alguém tem estado a incentivar através de um discurso radical, o apoio à desflorestação…esse alguém é sem sombra de dúvidas o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

O discurso de Bolsonaro permitiu aos madeireiros limparem (queimarem) as terras após a extração da madeira, para que possam ser vendidas de novo aos fazendeiros, aumentando assim o desflorestamento em mais de 67% nos primeiros sete meses do ano, o que me leva a supor que aqueles que lucram com a Amazónia, são os mesmo que a destroem  descontroladamente.

O Presidente do Brasil nos últimos dias conseguiu atacar tudo e todos com o seu discurso brusco e drástico fazendo com que as relações democráticas e políticas do Brasil se tenham deteriorado, com os governos de outros países, como França, Alemanha e até mesmo os Estados Unidos da América. Jair Bolsonaro inicialmente apontou a sua mira para as ONG’s afirmando que as mesmas eram culpadas pelas queimadas sem bases que fundamentassem o seu pensamento. Jair acabou por abandonar essa ideia, no entanto, já tinha lançado incertezas e inseguranças depois das declarações contra as ONG’s, seguindo-se o alerta para que nenhum outro Estado a não ser o Brasil interfere-se com ajudas financeiras internacionais, afirmando que o “dinheiro estrangeiro teria o objetivo de minar a soberania nacional”.

Desesperado e correndo o risco de elevadas sanções, Bolsonaro decide mobilizar os militares para combater o fogo, mas a estratégia não está clara e muito menos pensada, pois ainda ninguém percebeu como as Forças Armadas vão agir no terreno e se o seu papel será 100% eficaz.

Após todos os ataques verbalizados por Jair Bolsonaro, muitos contra Emmanuel Macron, o G7 prometeu a ajuda técnica e financeira com 20 milhões de euros, os quais foram rejeitados por o Brasil, mostrando uma falta de humildade e respeito democrático para com a Europa e o G7.

Chegando ao fim e depois de tentar perceber tudo aquilo que aconteceu no Brasil nos últimos dias, fico com um pensamento de um país em sofrimento, desgastado, sem recursos suficientes para o combate direto ao incêndio, com uma péssima imagem junto dos investidores e governos internacionais e uma economia a morrer lentamente. Bolsonaro foi longe demais e coloca em risco investimentos, biodiversidade do brasil e a pouca reputação do país.

A Amazónia continua a arder, tal como Bolsonaro arde lentamente!