Tomou-se consciência “de que aquela não pode ser uma infraestrutura para ficar parada”, diz José Calixto sobre terminal de mercadorias que pode nascer no Alandroal (c/som)

Tal como noticiamos há uns meses, os Municípios de Alandroal, Reguengos de Monsaraz, Sousel, Borba, Estremoz e Vila Viçosa assinaram um protocolo com a Infraestruturas de Portugal, de forma a poder estudar-se a viabilidade da construção de um terminal de mercadorias na ligação ferroviária de mercadorias entre Évora e Elvas.


Neste sentido, esta segunda-feira (11 de Fevereiro) realizou-se, no auditório da Câmara Municipal de Alandroal, uma reunião de trabalho entre a Infraestruturas de Portugal com os municípios de Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo, Reguengos de Monsaraz e Sousel.

Nesta reunião abordou-se a implementação dos estudos para um terminal de mercadorias na ligação ferroviária de mercadorias entre Évora e Elvas. Um processo de análise técnica onde, os Municípios envolvidos, a ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo e a empresa Infraestruturas de Portugal EP, deixaram a garantia que tudo farão para deixar bem clara a enorme mais valia desta infraestrutura para esta zona do Alentejo.

Em declarações ao ODigital.pt, José Calixto, Presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz e também Presidente da ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, que começou por explicar que foi “uma importante reunião de partida, de troca de experiências entre a Infraestruturas de Portugal e os municípios que assinaram e participam num protocolo que nos permitirá ter esses estudos num curto espaço de tempo.”

Os referidos estudos “pretendem analisar a criação e uma estação de mercadorias numa estação técnica perto de Alandroal, basicamente no troço entre Évora e Caia, ser a única estação de mercadorias. É no fundo uma matéria e infraestrutura muito importante para nós, porque estamos a falar de uma infraestrutura que está no mercado privado, portanto a logística de uma infraestrutura daquelas tem de ser desenvolvida por um privado e naturalmente tem de haver um estudo de viabilidade económica-financeira e é também oportunidade de os municípios poderem dar toda a informação às Infraestruturas de Portugal para que se tenha uma infraestrutura atractiva e que depois de construída, ela, não fique fechada.”

O autarca destacou vários sectores que podem beneficiar com esta estação, nomeadamente os sectores dos “mármores, os vinhos, agro-alimentares, novos agro-alimentares com perspectivas de novos blocos de rega, como outras mercadorias que se desloquem do Porto de Sines para o centro e sul da Europa, tudo isso tem de ser feito levantamento, levados à luz centros logísticos que existirão em Elvas, Badajoz e Vendas Novas.”

José Calixto deixa claro que será uma “infraestrutura que não queremos que seja megalómana mas que sirva de proximidade a uma série de sectores que têm a beneficiar com isso. E, portanto, este estudo de viabilidade além de analisar a viabilidade económica presente, será importante para analisarmos também com cautelas e ambição, aquilo que poderão ser novas oportunidades para a região.”

“Tivemos uma reunião muito franca, as dificuldades que a Infraestruturas de Portugal nos transmitiram devem ser incorporadas pelos municípios e fazermos o trabalho o mais sério possível, não ficar nenhuma informação na gaveta, nem nenhuma perspectiva de investimento na gaveta. Aliás a própria ADRAL terá também aí um papel, porque na medida em que fizemos várias incursões económicas ao estrangeiro, temos nota de alguns investimentos e capacidade de investimento estrangeiro que possa existir e que tem de ser incorporada neste estudo”, acrescentou ainda José Calixto.

“Por um lado os municípios tomaram consciência de que aquela não pode ser uma infraestrutura para ficar parada por falta de operador logístico”, salientando também, que a “Infraestruturas de Portugal perceberam (porque fizemos questão de transmitir) que em regiões do interior se não se dá um primeiro passo, se não se arrisca um pouco mais do que em qualquer outro centro logístico perto de um porto de águas profundas”.

Ainda segundo José Calixto, outra matéria muito falada pelos municípios “é que essa infraestrutura tem de ter uma rede viária condizente com a capacidade da necessidade que temos de captar operadores logísticos, ou seja um operador logístico até pode ter assegurado o ‘break–even‘ assegurado na estação de mercadorias, mas depois ter imensa dificuldade, custos acrescidos e riscos acrescidos na circulação rodoviária e portanto tudo isto foi abordado nesta reunião e assim estamos em condições de iniciar o trabalho e de ter todas as expectativas de que estejamos a criar mais uma infraestrutura importante para a região.”

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