Vila Viçosa: “Foi uma riqueza de partilha”, afirmou Carlos Filipe no final da conferência internacional sobre os mármores (c/som e fotos)

Nos dias 30 e 31 de Maio, decorreu em Vila Viçosa a Conferência Internacional Os mármores do Alentejo. 2000 anos de memória e património, que se realizou no âmbito do estudo Património e História da Indústria dos Mármores, e que se destinou à divulgação dos principais resultados da investigação em curso.

Durante estes dois dias relevou-se a importância dos mármores alentejanos, enquanto matéria – prima utilizada para a concepção de elementos esculturais e decorativos produzidos nas oficinas de canteiro e reflectir sobre a evolução histórica deste ofício e a necessidade da sua reinvenção perante os desafios do futuro.

ODigital.pt marcou presença nestes dois dias, tendo no final falado com Carlos Filipe, do CECHAP – Centro de Estudos de História, Cultura, Artes e Patrimónios, que começou por dizer que esta conferencia “foi por um lado de balanço e por outro lado perspectivando vários postos de vista, foi divido em dois dias distintos, o primeiro dedicado inteiramente à investigação que decorreu até este momento e o segundo dia numa perspetiva de ligação à sociedade e à economia”, acrescentando que “desafiamos os empresários para estarem aqui presentes, para colocarem os seus pontos de vista, para tomarem conhecimento que a história e o património são fundamentais para o futuro da sua actividade”.

Carlos Filipe afirma que “foram dois dias extraordinários de grandes comunicações científicas e culturais, que nos deixam aqui um campo muito lato e uma esperança muito forte para a afirmação quer do recurso, quer da própria indústria, quer da região e das suas pessoas.”

Estes dois dias de conferência contaram com a assistência de dezenas de pessoas “vindas de vários países, da Itália, da França, da Espanha, da Irlanda e de muitos lugares do país. Pessoas que se mostraram curiosas por conhecer a projecção deste trabalho, o estudo até onde ele foi alcançado, foi uma riqueza de partilha, para além da partilha científica dos próprios investigares que vieram de várias universidades, de várias sensibilidades, de várias áreas de estudo, muito diversa e muitos distantes em relação àquela que estão a desenvolver e tudo isto conjugado correu tão bem, que só posso estar satisfeito”, referenciou o organizador do evento.

Carlos Filipe disse-nos ainda que um dos resultados desta conferência foi a “produção de dois livros e é o portal que a partir de segunda-feira está disponibilizado com tecnologia mais avançada, em que as pessoas através de um clique em cima de uma imagem, escolhendo um século que querem conhecer sobre o património, esta vai criar um roteiro na zona do anticlinal onde pode ter conhecimento e contacto com esse mesmo património. Depois tem uma ligação directa à informação que está depositada, sendo uma coisa inédita, sendo um resultado que vai trazer muita informação completamente e esperamos que este projecto possa beneficiar de uma terceira fase.”

O endereço do portal a visitar é:  www.marmore-cechap.pt.

Questionado sobre a realização de mais estudos e mais conferências, o historiador refere que “para tudo isto é necessário recurso financeiros, nós tivemos a felicidade ter duas candidaturas aprovadas e temos de perspectivar se quisermos continuar com este projecto terá de haver um novo investimento e esperemos que seja para breve.