O Governo decidiu reconduzir José Pedro Salema como presidente do Conselho de Administração da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) para o triénio 2025-2027. A decisão foi tomada na Assembleia Geral da empresa, realizada a 18 de novembro de 2025.
A informação foi avançada pelo jornal Público, confirmada pela própria EDIA e consta de documentação oficial remetida à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
José Pedro Salema exerce funções desde 2013 e continuará à frente da empresa pública responsável pela gestão do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, infraestrutura estratégica para o aproveitamento dos recursos hídricos e para o apoio à atividade agrícola no Alentejo.
Apesar da recondução, a nova nomeação implica uma redução da remuneração do presidente. A alteração resulta da aplicação do modelo de remuneração dos gestores públicos, previsto no Decreto-Lei n.º 71/2007, que classifica as empresas do setor empresarial do Estado com base em indicadores económicos, financeiros e operacionais. A nova avaliação atribuída à EDIA determinou a descida do escalão remuneratório da administração.
De acordo com o jornal Expresso, esta decisão contrasta com o que ocorreu recentemente no Metro de Lisboa, cuja classificação foi revista em alta, permitindo um aumento dos salários dos novos administradores. No caso da EDIA, a pontuação obtida conduziu a uma revisão em sentido inverso, com impacto direto no vencimento do presidente do Conselho de Administração.
Na mesma Assembleia Geral, foram ainda substituídos dois administradores por terem atingido o limite legal de mandatos consecutivos, conforme estabelece o regime jurídico do setor empresarial do Estado. A empresa informou que uma das vagas no Conselho de Administração permanece por preencher.
A recondução da administração ocorre num contexto financeiro exigente. Em 2024, a EDIA registou um prejuízo de 17,28 milhões de euros, tendo o Estado optado por adiar a decisão sobre uma eventual operação de reequilíbrio financeiro, incluindo a possibilidade de compensação de capitais próprios negativos. Ainda assim, o acionista único expressou um voto de confiança na atual administração.
Nos últimos anos, a EDIA tem beneficiado de apoios financeiros do Estado. Em novembro de 2025, a empresa recebeu um reforço de cinco milhões de euros, destinado a assegurar a execução do plano de investimentos em curso.


















