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Arcebispo de Évora fala em “humilhante problemática dos migrantes no Alentejo” e recorda documento de 2019

Na sequência da polémica que envolve os trabalhadores agrícolas do Baixo Alentejo, o Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, veio a público este sábado falar sobre aquilo que diz ser a “humilhante problemática dos migrantes no Alentejo”.

Na comunicação tornada pública, este sábado, o Arcebispo de Évora recorda o “primeiro documento da Comissão Diocesana Justiça e Paz de Évora, intitulado ‘Despovoação e Migração no Alentejo’, por mim apresentado em conferência de imprensa no dia 4 de Dezembro de 2019”, acrescentando que após a apresentação do documento para esta “nova forma de escravatura, nenhuma resposta surgiu, excepto o silêncio de muitos, mesmo tratando-se de um apelo urgente com consequências de desumanização.”

Do documento, de 2019, agora relembrado por D. Francisco Senra Coelho, é referido que “relativamente à migração, constata-se que o Alentejo está a ser um dos seus grandes recetores, não só a nível sazonal, mas também a título permanente, sobretudo para trabalhos relacionados com a agricultura”, sendo ainda referido que “a migração em causa é fundamentalmente proveniente do Brasil, dos países de Leste (Roménia, Moldávia, Ucrânia, etc.) e da Ásia (Índia, Paquistão, Nepal, etc.) em que estes últimos, além dos problemas da língua, têm um conjunto de rituais e formas de vida (mais coletivo que individual – também por razões monetárias) a que devemos estar atentos.”

Neste documento de 2019 já era referido que “em muitos destes casos, suspeita-se a existência de tráfico de pessoas com exploração das mesmas, quer por máfias dos seus países de origem, quer pelas entidades empregadoras”.

D. Francisco Senra Coelho relembra também que na altura foi dito no documento que “…a Igreja pode ser um parceiro privilegiado neste acolhimento, através dum acompanhamento próximo da realidade laboral e social, ajudando, dentro da sua esfera de influência local/regional, a uma melhor integração, principalmente através da projeção da visibilidade da sua realidade.

Como reflexão final deixamos o repto de, numa primeira abordagem, denunciar/expor situações anómalas e não compagináveis com os princípios e os valores da Igreja Católica e da boa convivência entre pessoas (independentemente da sua raça, género, religião), propor medidas, que venham a criar um normal e rápido processo de integração”, referia ainda o documento divulgado em 2019 e que agora foi recordado pelo Arcebispo de Évora.

No comunicado hoje emitido o Arcebispo de Évora conclui dizendo que “apoiaremos todas as medidas regularizadoras, de fiscalização, e humanizantes para esta situação que toca os direitos fundamentais da pessoa humana. Unimo-nos e solidarizamo-nos com a Diocese irmã de Beja.

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