O Alentejo tinha 82,2 megawatts (MW) de potência eólica ligada à rede no final de 2025, segundo o relatório «Parques Eólicos em Portugal», elaborado pelo INEGI – Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial, em parceria com a APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis.
Os dados, reportados a dezembro de 2025, mostram que a potência eólica instalada na região está concentrada nos distritos de Beja e Portalegre. Évora surge como o único distrito de Portugal continental sem qualquer aerogerador instalado, não apresentando potência eólica ligada à rede nem projetos em construção identificados no relatório.
Beja concentra a maior potência eólica no Alentejo
O distrito de Beja tem 74 MW de potência eólica ligada à rede, valor que representa a maior capacidade instalada no Alentejo.
De acordo com o relatório, esta potência resulta dos parques eólicos Baixo Alentejo/Mértola, com 43,7 MW, e Serra do Mú, com 30,4 MW.
No distrito de Portalegre, a potência eólica instalada é de 8,2 MW, correspondente ao parque eólico Alto dos Forninhos.
Já o distrito de Évora não apresenta qualquer potência eólica instalada, mantendo-se fora do mapa nacional de parques eólicos ligados à rede.
Alentejo tem peso reduzido no contexto nacional
A nível nacional, Portugal tinha 5965 MW de potência eólica ligada à rede no final de 2025, distribuída por 2861 aerogeradores. O relatório identifica ainda 446,8 MW em construção, o que eleva a capacidade total, entre potência ligada e em construção, para 6411,8 MW.
No Continente, estavam ligados à rede 5833,6 MW, com 2746 aerogeradores, encontrando-se em construção mais 441,4 MW, correspondentes a 69 aerogeradores.
Neste contexto, os 82,2 MW instalados nos distritos alentejanos de Beja e Portalegre representam uma parcela reduzida da potência eólica nacional.
Os distritos com maior potência eólica instalada em Portugal são Viseu, com 1231,1 MW ligados à rede, Coimbra, com 745,7 MW, Vila Real, com 696,3 MW, e Guarda, com 653,2 MW.
Eólica assegurou 25,4% do consumo no Continente
Em 2025, a energia eólica assegurou 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental, com uma produção de 13,5 terawatts-hora (TWh), face a um consumo total de 53,1 TWh.
Apesar deste contributo, o relatório assinala uma nova estagnação da capacidade adicional instalada em Portugal, após um período de crescimento.
À data da elaboração do documento, estavam identificados 446,8 MW de potência em construção. Cerca de 80% correspondiam a novos projetos, 14% a projetos de repowering e 6% a sobreequipamento.
Entre os projetos em construção identificados no relatório estão Tâmega Norte, com 194,4 MW, e Tâmega Sul, com 79,2 MW, ambos fora da região alentejana.
APREN aponta licenciamento, mercado e rede como condicionantes
Em declarações à Lusa, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, Susana Serôdio, afirmou que «nos últimos anos tem havido aqui uma estagnação da energia eólica» e que esta fonte «não tem acompanhado o que seria expectável face ao que está no PNEC2030».
A responsável apontou o licenciamento, a falta de visibilidade dos prazos, dificuldades em áreas de avaliação de impacto ambiental, as condições do mercado atual e questões de rede como fatores que condicionam o desenvolvimento de novos projetos.
Susana Serôdio defendeu ainda que «o futuro passa pelo reequipamento», embora considere que «existe, efetivamente, ainda margem para crescer em terra».
Hibridização ganha relevância no setor
Segundo a APREN, a hibridização, através da combinação de projetos eólicos com outras fontes renováveis, como solar ou hídrica, está a ganhar relevância no setor.
Susana Serôdio explicou à Lusa que, nas horas de produção solar, os preços são baixos e a rentabilidade dos projetos pode diminuir. «E, se hibridizarem com o eólico, geram aqui outro potencial ao projeto», afirmou.
Metas nacionais apontam para 10,4 GW de eólica onshore em 2030
O relatório enquadra a evolução do setor nas metas do Plano Nacional Energia e Clima 2030, que prevê uma capacidade de 10,4 gigawatts (GW) de eólica em terra até 2030. Para a eólica offshore, mantém-se a intenção de atingir 2 GW no mesmo horizonte.
O documento considera que este conjunto de metas é «muito ambicioso e exigente», exigindo desenvolvimento de projetos, participação da indústria nacional na cadeia de valor e adequação da infraestrutura.
Segundo o relatório, a concretização destas metas depende também de regras publicadas pelo Estado Português que sejam suficientemente atrativas para que os investimentos ocorram.

















