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Batalha de Montes Claros voltou a ser evocada em Borba 361 anos depois (c/fotos)

Cerimónia decorreu junto ao Padrão de Montes Claros, em Rio de Moinhos, com a presença de entidades civis e militares.

Borba assinalou, esta quarta-feira, 17 de junho, os 361 anos da Batalha de Montes Claros, travada em 1665 na freguesia de Rio de Moinhos, com uma cerimónia junto ao Padrão de Montes Claros e uma homenagem aos combatentes.

A cerimónia, promovida pelo Município de Borba, contou com deposição de uma coroa de flores e a presença de entidades civis e militares, numa evocação de um dos episódios associados à consolidação da Restauração da Independência de Portugal.

Município quer valorizar o monumento nacional

O presidente da Câmara Municipal de Borba, Pedro Esteves, destacou a importância histórica da batalha, considerando-a «das mais importantes da Restauração da Independência». Para o autarca, Montes Claros assume particular relevância por ter sido «das últimas e provavelmente a última com grande importância», num processo que permitiu que Portugal se afirmasse como «um país independente»

Pedro Esteves sublinhou ainda o trabalho de valorização do espaço envolvente ao Padrão de Montes Claros, nomeadamente através dos painéis informativos recentemente substituídos pela Fundação Batalha de Aljubarrota.

O autarca referiu que o Município pretende dar continuidade a esse processo, estando em estudo a criação de uma estrutura de apoio no acesso à zona da União das Misericórdias, que possa incluir condições de receção aos visitantes e permitir um melhor conhecimento do local. «Queremos dar a maior dignidade a este monumento nacional que está no concelho de Borba», afirmou

Exército associa Montes Claros à Escola das Armas

Na cerimónia, o comandante da Escola das Armas, Brigadeiro-general Octávio Avelar, afirmou que a evocação de Montes Claros permite recordar «um dos acontecimentos mais decisivos da História de Portugal».

Segundo o responsável militar, a batalha representa «um momento em que a vontade de um povo, a competência dos seus comandantes e a coragem dos seus soldados convergiram para garantir a continuidade de uma nação livre e soberana»

Octávio Avelar recordou ainda que o Exército instituiu o dia 17 de junho como dia comemorativo da Escola das Armas, unidade sediada em Mafra, precisamente pelo significado militar e histórico associado a Montes Claros.

O Brigadeiro-general defendeu que a vitória alcançada em 1665 demonstrou a importância da coordenação entre diferentes forças, referindo que, em Montes Claros, infantaria, cavalaria e artilharia atuaram «de forma articulada», num exemplo histórico de integração e sincronização do combate

Memória histórica e responsabilidades do presente

Nas palavras proferias, o comandante da Escola das Armas afirmou que as lições retiradas da Batalha de Montes Claros mantêm atualidade, mais de três séculos e meio depois.

«A preparação rigorosa, a disciplina, o treino, a capacidade de adaptação e a cooperação entre diferentes especialidades continuam a ser factores determinantes para o sucesso», referiu Octávio Avelar, acrescentando que, apesar da evolução dos meios e das tecnologias, permanecem princípios fundamentais da ação militar

O responsável militar salientou também que o monumento «não assinala apenas uma vitória do passado», constituindo «um convite à reflexão sobre as responsabilidades do presente». Para Octávio Avelar, a liberdade, a independência e a soberania «nunca devem ser dadas por garantidas»

Atividades dirigidas aos jovens no Jardim Municipal

Além da cerimónia protocolar junto ao Padrão de Montes Claros, o programa incluiu atividades no Jardim Municipal de Borba, promovidas pelo Exército Português.

Pedro Esteves explicou que muitas dessas iniciativas foram destinadas a jovens e crianças, permitindo o contacto com diferentes áreas da atividade militar, incluindo preparação física e contacto com cavalos. O presidente da Câmara deixou ainda um convite à participação, referindo que o espaço estava «à disposição» dos jovens e das crianças

Com esta evocação, Borba assinalou a ligação do concelho à Batalha de Montes Claros e prestou homenagem aos que participaram no confronto de 1665, episódio que marcou a fase final da Guerra da Restauração.

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