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“StoryPath”: Designer calipolense cria projeto de “posto de turismo” de bolso para ajudar turistas em Vila Viçosa

O projeto-piloto disponibiliza 25 pontos de interesse em Vila Viçosa e pretende ajudar visitantes a conhecer a história local através do telemóvel.

Um designer natural de Vila Viçosa desenvolveu uma plataforma digital que pretende ajudar turistas a descobrir a história, o património e as tradições da vila através do telemóvel.

O projeto, denominado StoryPath, foi criado por Luís Janeiro e encontra-se atualmente em fase piloto no concelho, onde disponibiliza 25 pontos de interesse com conteúdos áudio em nove idiomas.

A ideia surgiu da observação de uma realidade que o criador encontrava frequentemente nas ruas de Vila Viçosa, segundo o designer em declarações ao jornal ODigital.pt.

“Via os turistas olharem para as estátuas e tentarem ler a informação disponível, onde muitas vezes essa informação estava apenas em português, e percebi que não conseguiam compreender quem eram aquelas personalidades ou a importância daqueles locais”, explicou.

Segundo Luís Janeiro, a plataforma pretende ser um posto de turismo no bolso de cada pessoa que nos visita”, para além de ultrapassar as barreiras linguísticas.

“Queremos que o turista saia daqui conectado emocionalmente com a nossa história”, afirmou.

QR Codes e geolocalização orientam os visitantes

O StoryPath foi concebido para funcionar de uma forma simples. Segundo Luís Janeiro, o percurso começa por ler um QR Code “simplesmente” e “começa o tour”.

“O turista não tem de se registar. A única coisa que lhe é pedida é ligar o GPS do telemóvel para nós podermos guiá-lo”, explicou o designer.

O objetivo passa por incentivar o visitante a ir a “todos os pontos de Vila Viçosa”, desbloqueando conteúdos à medida que avança pelo território: “Isto é quase como um quiz”.

Entre os percursos em desenvolvimento encontra-se um roteiro dedicado a Florbela Espanca. De acordo com Luís Janeiro, quando o visitante se aproxima de locais ligados à poetisa, como a casa onde viveu ou o local onde está sepultada, a aplicação disponibiliza automaticamente conteúdos relacionados com a sua história e obra.

“Quando vai do ponto A ao ponto B, vai desbloqueando conteúdos. Depois pode desbloquear a poesia, tanto em áudio como em texto”, acrescentou.

Conteúdos em nove idiomas

A plataforma está disponível em português, inglês, espanhol, francês, alemão, italiano, chinês, japonês e holandês.

De acordo com Luís Janeiro, a escolha destas línguas teve em conta os mercados turísticos com maior relevância para a região, bem como o objetivo de disponibilizar conteúdos acessíveis a visitantes de diferentes nacionalidades.

“O objetivo é tornar este projeto diferenciador. É mesmo estar a falar todas as línguas”, referiu.

Projeto-piloto decorre até setembro

A StoryPath começou a ser desenvolvida em janeiro deste ano e entrou em fase de testes em março. O projeto encontra-se agora a realizar um piloto em Vila Viçosa, que decorrerá até setembro e servirá para avaliar o comportamento dos utilizadores e recolher dados sobre a utilização da plataforma.

“Este teste serve para testar a ferramenta com utilizadores reais e ganhar métricas. Depois podemos chegar a outros municípios não com achismos, mas com dados que provam que funciona”, afirmou.

O projeto conta com o Município de Vila Viçosa como parceiro estratégico e utiliza atualmente 25 pontos de interesse distribuídos pelo concelho.

Concluída esta fase, o objetivo passa por “expandir a plataforma para outros territórios do Alentejo”. Entre os destinos identificados estão Évora, Borba, Estremoz e Elvas, com conteúdos adaptados à identidade de cada localidade.

“Cada terra tem o seu superpoder. Vila Viçosa tem o património histórico, Borba tem a vinha e a produção de vinho, Estremoz tem os bonecos. Cada terra tem a sua própria identidade e nós queremos focar-nos nisso”, explicou.

Entre as metas definidas por Luís Janeiro está também a chegada da plataforma a Évora, numa altura em que a cidade se prepara para assumir o título de Capital Europeia da Cultura em 2027. Isto porque, “vamos receber um número enorme de turistas e acahamos que este é um bom produto do Alentejo”.

Desta forma, Luís Janeiro acredita que a plataforma poderá funcionar como uma rede regional de descoberta do território, uma vez que “queremos que o turista nunca se sinta perdido e que saiba sempre o que poderá ver em cada terra”.

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