Uma tartaruga-marinha encontrada na Praia de São Torpes, em Sines, integrou o grupo de seis exemplares da espécie Caretta caretta que regressaram ao oceano esta quinta-feira, após um período de recuperação no Porto d’Abrigo do Zoomarine Algarve.
A libertação decorreu a bordo do Navio da República Portuguesa (NRP) Oríon, da Marinha Portuguesa, a cerca de seis milhas náuticas da costa de Portimão, numa área afastada das zonas de maior atividade piscatória.
O exemplar encontrado em São Torpes, batizado de Xerém, chegou ao centro de recuperação com uma amputação já cicatrizada do membro anterior direito, problemas intestinais e sinais de ingestão de resíduos plásticos. Apesar de possuir apenas uma barbatana dianteira, recuperou durante os meses de permanência no Porto d’Abrigo, aumentando o peso de 870 gramas para 1,4 quilos.
Seis tartarugas recuperadas
Além de Xerém, regressaram ao mar outras cinco tartarugas juvenis que deram entrada no centro de recuperação com diferentes problemas de saúde, entre os quais lesões traumáticas, alterações pulmonares, desnutrição, dificuldades de flutuabilidade e ingestão de resíduos.
Segundo o Zoomarine, todos os animais recuperaram condições físicas consideradas adequadas para sobreviverem no seu habitat natural.
A responsável pelo Porto d’Abrigo, Antonieta Nunes, destacou a importância do trabalho desenvolvido por diversas entidades na recuperação destes animais.
«Cada devolução ao oceano é um momento de enorme alegria para a equipa do Porto d’Abrigo. Falamos de seis tartarugas juvenis, seis histórias distintas de sobrevivência e recuperação, que regressam agora ao seu habitat natural com novas oportunidades de vida», afirmou.
Monitorização por satélite
Antes da libertação, as seis tartarugas foram identificadas com microchips e equipadas com transmissores de satélite, numa iniciativa desenvolvida pelo Zoomarine em parceria com a organização internacional Upwell.
Os equipamentos permitirão acompanhar os movimentos migratórios dos animais e recolher dados científicos sobre os habitats utilizados pela espécie.
A operação contou com o apoio da Marinha Portuguesa, investigadores ligados à conservação marinha e diversas entidades científicas.
Desde a criação do Porto d’Abrigo, em 2002, o Zoomarine já participou na recuperação e devolução ao meio natural de centenas de animais marinhos e aquáticos.

















