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Évora 2027 quer afirmar identidade do Alentejo no diálogo com a Europa

Presidente da Associação Évora_27 destacou a Capital Europeia da Cultura como projeto de envolvimento coletivo, diálogo europeu e legado para o Alentejo Central

Maria do Céu Ramos, presidente da Associação Évora_27, defendeu que a Capital Europeia da Cultura deve ser uma oportunidade para reforçar a identidade, a autoestima e a participação da cidade de Évora e do Alentejo Central.

A responsável falava no encontro «Identidade Cultural, Coesão e Valorização do Território», promovido pelo Núcleo Distrital de Évora da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, no Palácio D. Manuel, em Évora.

Na intervenção, Maria do Céu Ramos afirmou que procurou levar «contributos para esta discussão sobre a identidade e o território do Alentejo», destacando Évora como um lugar com centralidade histórica na Europa.

Segundo a presidente da Associação Évora_27, a cidade foi moldada por diferentes matrizes históricas, desde os povos indígenas da Península Ibérica ao Império Romano, à civilização islâmica, à sociedade cristã medieval e ao Renascimento português, tornando-se «numa comunidade rica e complexa».

Évora como cidade que fala com a Europa

Maria do Céu Ramos sublinhou que Évora teve um papel relevante na história de Portugal e da Europa, em particular no final do século XV e no século XVI, quando acolheu frequentemente a Corte portuguesa e se tornou «num dos principais centros políticos, culturais e intelectuais da Europa».

Para a responsável, a cidade deve hoje assumir essa herança no contexto da Capital Europeia da Cultura. «Évora tem de prosseguir determinada esse caminho para o futuro», afirmou.

A presidente da Associação Évora_27 defendeu que a iniciativa deve contribuir para «fomentar a cidadania europeia na diversidade cultural» e para construir «uma voz ativa na construção permanente da União Europeia».

Maria do Céu Ramos recordou que as Capitais Europeias da Cultura foram criadas como instrumento de integração europeia e de promoção dos valores europeus. Por isso, considerou que um dos aspetos centrais de Évora 2027 é «o diálogo da cidade, da comunidade e do território com o resto da Europa».

«É a possibilidade de dizer nós aqui somos da Europa. Esta é a nossa cultura. E está aberta ao resto da Europa com quem queremos construir futuro», afirmou.

Capital Europeia da Cultura como oportunidade para todos

Na intervenção, Maria do Céu Ramos enquadrou Évora e o Alentejo como territórios de baixa densidade, marcados por «muita terra e pouca gente», população envelhecida e dispersa, bem como por um tecido social, económico e institucional com pouca massa crítica.

Neste contexto, defendeu que a Capital Europeia da Cultura surge como uma oportunidade para a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, abrangendo 14 concelhos, com efeito difusor por todo o Alentejo.

Para a presidente da Associação Évora_27, o sucesso do projeto depende do envolvimento das pessoas, das associações e das instituições. «As pessoas são a chave do sucesso de qualquer empreendimento humano, de qualquer empresa, de qualquer projeto», afirmou, sublinhando a necessidade de envolver líderes locais e agentes do território.

Maria do Céu Ramos considerou que a escolha de Évora como Capital Europeia da Cultura foi «uma conquista coletiva» e representou «a afirmação da identidade e o reforço da autoestima da cidade e da região».

Contudo, alertou que o sentido de pertença, a confiança e a participação «não se fazem em atos isolados», exigindo «continuidade, consistência e uma construção permanente».

Cultura do vagar como proposta de Évora à Europa

Maria do Céu Ramos destacou o conceito de «vagar» como uma das bases de Évora 2027, considerando-o um contributo para a diversidade cultural europeia.

«Propor uma cultura do vagar, como faz Évora 27, é um contributo para a diversidade europeia», afirmou, defendendo que esta proposta «dá tempo à esperança» e permite abrir novos caminhos no presente.

A responsável explicou que o vagar não deve ser entendido como uma abstração, mas como uma prática. «O vagar é uma prática, não uma abstração», referiu, acrescentando que a proposta de Évora 2027 passa por «dar tempo ao tempo» e usar o tempo «de forma consciente».

Segundo Maria do Céu Ramos, a grande âncora do projeto é a identidade cultural do Alentejo. «Não estamos a lidar com uma ficção ou uma abstração. Estamos a lidar com uma maneira de ser e de estar», afirmou.

Para a presidente da Associação Évora_27, o território vive a contemporaneidade, mas conserva uma relação própria com o tempo, o espaço e a calma. «Vivemos num território onde o vagar não é apenas um conceito, uma ideia, mas uma práxis», disse.

Participação é condição essencial para o projeto

Maria do Céu Ramos sublinhou que a participação é uma dimensão central de Évora 2027 e não deve ser tratada como um slogan. «Um dos aspetos mais importantes de Évora 27 é a forma como entende a participação, não como um slogan, mas como uma condição essencial para que o projeto tenha significado», afirmou.

A presidente da Associação Évora_27 defendeu que esta oportunidade deve ser benéfica para todos, mas alertou que a participação também implica contributo. «Não podemos estar sempre à espera daquilo que vamos receber. É importante querer contribuir, perceber que o que damos nos acrescenta a nós próprios», referiu.

Para a responsável, a Capital Europeia da Cultura deve ser aberta e plural. «Uma Capital Europeia da Cultura não é para as elites culturais», afirmou, acrescentando que se trata de uma iniciativa «aberta, plural e pluralista».

Maria do Céu Ramos destacou que Évora 2027 será feita com os agentes culturais e os seus públicos, mas também com outros setores da sociedade, alargando o sentido e o alcance da cultura enquanto espaço «edificante, construtor e transformador da realidade».

Associação Évora_27 quer mobilizar os jovens

Na intervenção, Maria do Céu Ramos deu particular destaque ao papel dos jovens, considerando que estes devem assumir plenamente a sua cidadania europeia.

Num território envelhecido, a responsável afirmou que Évora 2027 enfrenta o desafio de mobilizar a juventude. «Andamos à procura dos jovens e temos a porta aberta para os acolher, escutar, apoiar», afirmou.

A presidente da Associação Évora_27 defendeu ser importante «dar espaço e dar voz aos jovens», apoiando a sua iniciativa e compreendendo «a sua impaciência perante o futuro», sobretudo quando o presente não lhes parece promissor.

Maria do Céu Ramos acrescentou que a solidariedade entre gerações será essencial, porque o futuro de Évora 2027 «não depende apenas daquilo que acontece em 2027», mas das pessoas que vão continuar no território depois dessa data.

Legado deve ser concreto e cuidado

Maria do Céu Ramos afirmou que a discussão sobre uma Capital Europeia da Cultura implica uma pergunta inevitável: «O que fica quando a capital europeia termina?».

Para a presidente da Associação Évora_27, a resposta não pode limitar-se à memória de uma programação bem-sucedida. «Tem de existir um legado e importa que seja concreto», defendeu.

A responsável afirmou que gostaria que Évora 2027 deixasse «uma cidade e um território mais abertos, mais plurais e mais disponíveis para o encontro», através da participação direta, do trabalho artístico e cultural e do diálogo entre setores da sociedade.

«A cultura é, antes de mais, um lugar de encontro», afirmou Maria do Céu Ramos, defendendo que a experiência deve contribuir para tornar a cidade mais aberta ao mundo exterior e aos diferentes setores da sociedade local.

A presidente da Associação Évora_27 concluiu que os mais jovens terão um papel relevante nesse processo, por terem hábitos menos cristalizados, maior disponibilidade para experimentar e capacidade para imaginar o que ainda não existe.

«Évora 27 precisa de se construir, de deixar um legado e de cuidar desse legado», afirmou.

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