Álvaro Beleza, presidente da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, defendeu em Évora que a cultura deve ser entendida como um elemento central da identidade, da coesão territorial e do desenvolvimento económico.
As declarações foram feitas à margem do encontro «Identidade Cultural, Coesão e Valorização do Território», promovido pelo Núcleo Distrital de Évora da SEDES, no Palácio D. Manuel, no âmbito do ciclo «Temas para o Território».
Para o presidente da SEDES, a realização da iniciativa em Évora enquadra-se no papel da associação e no contexto da Capital Europeia da Cultura. «À SEDES compete-lhe muito bem homenagear a cultura e a capital da cultura que Évora vai liderar», afirmou Álvaro Beleza, considerando que a reflexão sobre identidade cultural «faz todo o sentido».
Identidade cultural vista como base da valorização territorial
Álvaro Beleza defendeu que a cultura está ligada à identidade das comunidades e à forma como os territórios se distinguem. O presidente da SEDES recordou que, mesmo em contextos de crise, a cultura deve ser preservada, por representar «a nossa identidade» e «a nossa vida».
«O que é que nós somos? O nome que temos, a família que temos, onde nascemos e onde vivemos e as nossas raízes. Isso é o mais importante», afirmou.
Num contexto de globalização, crescimento económico e internacionalização, Álvaro Beleza sustentou que Portugal deve manter uma abertura ao mundo, mas sem perder a sua identidade. «Portugal hoje, felizmente, é um país aberto ao mundo. Cada vez mais. Mas sem identidade, nada», referiu.
O presidente da SEDES destacou ainda a importância de Évora e do Alentejo manterem as suas características próprias, apontando exemplos como «a comida, bebida, a música, a pintura, toda a arte» e a paisagem.
Turismo depende da preservação da identidade
Álvaro Beleza associou a identidade cultural ao turismo, considerando que a diferenciação dos territórios é essencial para a sua atratividade. «O próprio turismo, que é hoje talvez a indústria exportadora mais relevante de Portugal, necessita de manter a nossa identidade com orgulho», afirmou.
Para o presidente da SEDES, a preservação das características regionais é também uma forma de reforçar a coesão nacional. «Portugal é muito rico porque de Cerveira à Praia da Rocha há diferenças culturais profundas da nossa história e da nossa cultura», disse, sublinhando que o país mantém uma unidade histórica com quase 900 anos.
Nesse sentido, defendeu ser «fundamental preservar a identidade de cada região» e valorizá-la, para que exista orgulho nas diferentes expressões culturais do território nacional.
«É essa diversidade que nos junta. Que nos une. É isso que a gente tem que festejar», afirmou Álvaro Beleza, acrescentando que o objetivo passa por «pegar no antigo, ter orgulho nas nossas tradições e depois projetar isto para fora».
Évora com papel crescente no desenvolvimento do país
Nas declarações prestadas, Álvaro Beleza considerou que Évora tem vindo a ganhar centralidade no contexto nacional. O presidente da SEDES referiu que a cidade é uma das que apresenta «mais crescimento nos últimos anos em Portugal», destacando a presença de população jovem, empresas no centro urbano e na periferia, bem como um conjunto de empresas tecnológicas.
O responsável apontou ainda a futura ligação de alta velocidade e o novo hospital como fatores relevantes para o desenvolvimento da cidade. «Não tenho dúvidas que com a alta velocidade isto vai dar um salto extraordinário», afirmou.
Álvaro Beleza relacionou esta evolução com o papel histórico de Évora em Portugal, recordando que, no tempo de D. Manuel, a cidade teve uma posição central no país. «Évora já teve esse papel central na História de Portugal, que eu acho que está a retomar», afirmou.
Cultura e economia não devem ser separadas
O presidente da SEDES defendeu que a cultura não deve ser desligada das políticas de desenvolvimento económico. Para Álvaro Beleza, «não há economia sem cultura» e «a cultura e a economia não se podem desligar».
O responsável considerou ainda que o crescimento económico está cada vez mais ligado às questões culturais e à capacidade dos territórios projetarem a sua identidade.
«Cada vez mais as empresas, o crescimento económico, está ligado às questões culturais», afirmou, defendendo que Portugal e Évora têm «muito para projetar».
O encontro promovido pela SEDES em Évora integrou o ciclo «Temas para o Território» e reuniu responsáveis institucionais e especialistas em torno da identidade cultural, da coesão e da valorização territorial.


















