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Cáritas de Évora apoia 45 famílias afetadas pelas cheias em Alcácer do Sal e equipas continuam no terreno

Foram atribuídos 90 apoios, num valor superior a 31 mil euros, e a Cáritas continua no terreno para responder a novas necessidades.

A Cáritas Arquidiocesana de Évora apoiou 45 famílias afetadas pelas cheias registadas no concelho de Alcácer do Sal, na sequência das tempestades associadas à Depressão Kristin, com 90 apoios no valor global de 31.594,44 euros.

O apoio foi concedido através do Fundo de Emergência Social criado pela instituição para responder às necessidades das populações atingidas pelas intempéries do final de janeiro e início de fevereiro.

Em declarações ao ODigital.pt, João Cachaço, diretor executivo da Cáritas Arquidiocesana de Évora, explicou que o balanço ainda não está encerrado, uma vez que a instituição mantém o acompanhamento às famílias sinalizadas.

“Continuamos no terreno, continuamos a apoiar pessoas”, afirmou João Cachaço, adiantando que a Cáritas procurou evitar a duplicação de apoios com outras respostas já em curso.

Segundo o responsável, a instituição fez “um compasso de espera” para perceber se avançavam os apoios da autarquia, da CCDR e dos seguros. “Ainda hoje há pessoas que estão à espera de resposta de seguros e da CCDR. E nós avançámos”, referiu.

Fundo reuniu quase 49 mil euros

De acordo com a Cáritas Arquidiocesana de Évora, o Fundo de Emergência Social reuniu 48.992,42 euros.

O montante resultou do peditório realizado pelas comunidades paroquiais da Arquidiocese de Évora, que angariou 38.992,42 euros, aos quais se juntou um donativo de 10.000 euros da Diocese de Setúbal.

João Cachaço explicou que a campanha foi lançada depois de a instituição perceber que existia “dinamismo de solidariedade” em torno das populações afetadas.

“Lançámos uma campanha de angariação, também a pedido do Senhor Arcebispo, para as vítimas das catástrofes de Alcácer do Sal e de Leiria”, disse.

Do valor total arrecadado, a Cáritas Arquidiocesana de Évora entregou 10.000 euros à Cáritas Diocesana de Leiria, para apoiar populações afetadas pelas intempéries naquela região. O restante montante ficou disponível para responder às necessidades das famílias de Alcácer do Sal.

71 processos familiares foram instruídos

Durante o mês de março, equipas da Cáritas deslocaram-se várias vezes ao concelho de Alcácer do Sal para proceder ao atendimento e levantamento das situações mais urgentes.

No total, foram instruídos 71 processos familiares. Até 31 de maio, 45 famílias tinham recebido apoio, através da atribuição de 90 respostas.

João Cachaço explicou que a identificação das situações começou com uma pré-triagem realizada pelo Serviço de Ação Social do município de Alcácer do Sal.

“Tivemos uma pré-triagem por parte do Serviço de Ação Social do município, que nos pediu um compasso de espera no início da intervenção”, afirmou.

Após essa primeira sinalização, a Cáritas fez atendimento às famílias para validar as necessidades que continuavam por responder.

Segundo o diretor executivo, a prioridade passou por apoiar agregados sem cobertura de seguros ou sem outras respostas imediatas.

“Houve pessoas que nós apoiámos logo, pessoas que não tinham qualquer tipo de cobertura em termos de proteção”, disse.

Eletrodomésticos e bens essenciais entre os apoios

A ajuda prestada traduziu-se na entrega de bens indispensáveis ao quotidiano das famílias afetadas, muitos dos quais tinham sido destruídos pelas inundações.

Foram disponibilizados equipamentos de frio, fogões, placas, máquinas de lavar roupa, camas, colchões, estrados, frigoríficos, fornos, equipamentos informáticos, mobiliário e outros eletrodomésticos.

“Optámos por equipamentos de frio, fogões, placas, máquinas de lavar roupa e todo esse tipo de equipamentos que, parecendo que não, fazem falta no dia a dia das pessoas”, explicou João Cachaço.

O Fundo de Emergência Social permitiu ainda financiar obras e materiais para recuperação das habitações, incluindo instalações elétricas, pintura, cozinhas e casas de banho.

De acordo com o diretor executivo da Cáritas de Évora, a instituição procurou ajustar os apoios às necessidades encontradas no terreno e evitar a sobreposição com respostas dadas por outras entidades.

“Não fazia sentido a Cáritas estar a dar o mesmo que outras entidades já estavam a dar”, referiu.

Cáritas mantém verba disponível para novos apoios

Apesar dos apoios já atribuídos, a Cáritas Arquidiocesana de Évora mantém 7.397,98 euros disponíveis no Fundo de Emergência Social e aguarda a entrega da Renúncia Quaresmal deste ano, que deverá reforçar os recursos existentes.

João Cachaço adiantou que a próxima fase poderá passar pelo apoio à pintura das habitações afetadas, agora que existem condições para esse tipo de intervenção.

“Uma vez que o tempo já está mais seguro e que já há condições para se começar a pintar as casas, se calhar a nossa próxima intervenção será ao nível da ajuda nas pinturas, fornecendo tintas e equipamentos para pinturas”, afirmou.

O responsável admite que o número de situações familiares identificadas não deverá aumentar, uma vez que os casos afetados já estão sinalizados. No entanto, as mesmas famílias poderão vir a receber novos apoios, caso sejam identificadas outras necessidades.

“Quem está identificado está identificado”, disse, acrescentando que uma família que já recebeu um equipamento poderá voltar a ser apoiada ao nível das pinturas ou de outros bens que se venha a confirmar que não estão em funcionamento.

“As pessoas estavam perdidas, sem perceber por onde começar”

Questionado sobre o cenário encontrado pelas equipas no terreno, João Cachaço descreveu um contexto de perda de bens e dificuldade das famílias em reorganizar a vida depois das cheias.

“Foi um sentimento de impotência”, afirmou. “Quando fomos, já a água tinha descido e as pessoas estavam todas a tentar refazer a sua vida, mas estava tudo muito perdido, sem perceber por onde começar.”

O diretor executivo referiu que algumas famílias tiveram de se deslocar para casas de familiares, regressando gradualmente às habitações afetadas.

“A Cáritas, nesse sentido, veio dar aqui alguma esperança às pessoas, no sentido de poder dar alguma resposta efetiva para organização da sua vida”, acrescentou.

A instituição deverá fazer uma nova atualização dos apoios dentro de cerca de dois meses, que poderá corresponder ao balanço final do processo.

“Queremos fechar este processo e as pessoas também estão a aguardar que a sua vida fique resolvida”, afirmou João Cachaço.

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