Évora assumiu-se como palco central da gastronomia nacional ao acolher a Gala do Guia Repsol 2026, num momento que, segundo o presidente da Câmara Municipal, Carlos Zorrinho, reforça o posicionamento da cidade como ponto de encontro entre cultura, território e projeção internacional.
Em declarações aos jornalistas, à margem do evento, o autarca sublinhou que a relevância da gala ultrapassa a atribuição de distinções. «Os títulos são muito importantes, mas é fundamental celebrar aquilo que, com imaginação e pragmatismo, conduz ao sabor, à criatividade e ao talento», afirmou.
Gastronomia como expressão de identidade
Carlos Zorrinho destacou a gastronomia como uma das principais expressões da identidade coletiva, resultante da transformação dos recursos do território em cultura. «Aquilo que vem da terra transforma-se naquilo que está no coração», referiu, apontando a cozinha como reflexo da história e da sociedade.
O presidente da Câmara descreveu Évora como um território marcado pela continuidade histórica. «Évora representa profundidade no tempo, continuidade e autenticidade», afirmou, acrescentando que a história na cidade «é vivida, cultivada e servida à mesa».
Entre tradição, território e transformação
A gastronomia alentejana foi apresentada como resultado de múltiplas influências culturais e da ligação à terra. «Tudo converge num prato e num sabor», afirmou Carlos Zorrinho, referindo a presença de heranças romanas, islâmicas e mediterrânicas.
Entre os elementos identitários, destacou produtos como o azeite, o pão, os coentros, o porco preto, os queijos e os vinhos, apontando-os como base de uma gastronomia que evolui mantendo a ligação ao território.
Neste contexto, sublinhou ainda o papel do tempo na construção da identidade gastronómica, referindo o conceito de “vagar” como elemento estruturante.
A comida como diplomacia e linguagem universal
No centro das declarações, Carlos Zorrinho destacou o papel da gastronomia como instrumento de ligação entre culturas e territórios. «A comida é a diplomacia, a comida é cultura, a comida é uma linguagem que o mundo compreende. Talvez pudéssemos fazer alguns acordos de paz à mesa», afirmou.
Para o autarca, esta dimensão coloca a gastronomia num plano estratégico, enquanto forma de aproximação entre povos e de projeção internacional, contribuindo para reforçar o papel de Évora no contexto europeu e global.
Sustentabilidade e hospitalidade como identidade
Carlos Zorrinho defendeu que a sustentabilidade integra a matriz da região. «Não é uma tendência, é uma herança e é o futuro», afirmou.
Referiu também que a hospitalidade constitui uma característica estrutural do território. «A hospitalidade não é um serviço, é a nossa forma de ser», disse.
Évora como centro de ligação territorial
O autarca destacou ainda a posição estratégica da cidade, sublinhando a sua proximidade a Lisboa, Espanha e infraestruturas relevantes, o que reforça o papel de Évora como ponto de ligação económico, cultural e gastronómico.
Neste enquadramento, a gastronomia surge como um dos principais instrumentos de afirmação territorial, contribuindo para a valorização e projeção do Alentejo.
Valorização da cadeia da gastronomia
Carlos Zorrinho destacou ainda o papel de todos os intervenientes da cadeia alimentar, desde produtores a profissionais da restauração. «Honramos aqueles que transformam a terra em emoção e a mesa num lugar de encontro», afirmou.
A realização da Gala do Guia Repsol em Évora foi, assim, apresentada como um reconhecimento da relevância da cidade e da região na valorização da gastronomia portuguesa.
No final, sintetizou o posicionamento da cidade, associando-a à dimensão cultural europeia: Évora afirma-se como «capital europeia da cultura e do sabor».















