Um homem de 38 anos ficou em prisão preventiva por suspeitas da prática dos crimes de violência doméstica, violação e sequestro contra a ex-namorada, de 24 anos, no concelho de Évora, revelou esta quarta-feira o Ministério Público (MP).
Segundo o comunicado divulgado pela Procuradoria-Geral Regional de Évora, o arguido foi apresentado a primeiro interrogatório judicial após ter sido detido fora de flagrante delito.
De acordo com o MP, o casal manteve uma relação entre o verão de 2021 e novembro de 2025. Durante esse período, o suspeito terá sujeitado a vítima, de forma reiterada, a maus-tratos físicos e psicológicos.
A investigação aponta ainda para duas situações distintas em que o arguido terá violado a vítima “com brutalidade”. O Ministério Público refere igualmente um episódio em que a mulher terá sido mantida dentro de uma viatura automóvel, sob ameaça física e verbal, impedida de abandonar o local.
Vítima denunciou os factos ao DIAP de Évora
Após o fim da relação, decisão que, segundo o MP, “nunca foi aceite pelo arguido”, o homem terá intensificado comportamentos de perseguição presencial, contactos telefónicos e mensagens através das redes sociais, incluindo ameaças contra a integridade física e a vida da vítima.
Os factos ocorreram em Évora. A vítima apresentou denúncia diretamente no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora na semana passada.
Na sequência da avaliação de risco de revitimização, classificada como “elevado/extremo”, foram emitidos mandados de detenção fora de flagrante delito. Em articulação com a PSP de Évora e uma organização de apoio a vítimas de violência doméstica, a mulher foi encaminhada para uma casa de abrigo em menos de 24 horas.
Arguido continuou a contactar a vítima após fuga
O suspeito conseguiu evitar a detenção até terça-feira, mantendo-se em paradeiro desconhecido durante vários dias. Nesse período, a vítima regressou à residência em Évora, tendo beneficiado de teleassistência e acompanhamento policial de proximidade.
Segundo o Ministério Público, mesmo ausente, o arguido continuou a contactar a vítima através das redes sociais, recorrendo a perfis diferentes da sua identidade.
No interrogatório judicial, o MP defendeu a aplicação da medida de coação de prisão preventiva, alegando perigos de fuga, continuação da atividade criminosa e perturbação do inquérito. O tribunal concordou com a medida.
O Ministério Público esclarece, contudo, que a “forte indiciação” considerada pelo tribunal não abrangeu os factos suscetíveis de integrar o crime sexual referido no comunicado.
A investigação prossegue sob direção da 2.ª secção especializada do DIAP de Évora, com a coadjuvação da PSP de Évora.















