O Alentejo registou valores de precipitação muito acima da média climatológica, com fevereiro de 2026 a assumir-se já como o mais chuvoso dos últimos 47 anos, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com o resumo climático atualizado a 15 de fevereiro, grande parte do território continental apresenta valores de precipitação entre 300% e 400% do normal, sendo que em alguns concelhos do vale do Tejo e do Alentejo os valores ultrapassam os 400%.
Fevereiro com novos extremos no Alentejo
Entre 1 e 15 de fevereiro, o total acumulado atingiu 223,5 mm, o equivalente a três vezes o valor médio mensal (304%). O IPMA refere que este é já o fevereiro mais chuvoso dos últimos 47 anos e o 10.º mais chuvoso desde 1931.
Foram registados novos extremos em 12 estações da rede do IPMA, incluindo no Alentejo. Em Alvalade, foram medidos 64,5 mm no dia 4, em Alcácer do Sal 55,9 mm no mesmo dia e em Beja 55,7 mm em 24 horas.
O relatório indica ainda que cerca de 49% das estações meteorológicas registaram o triplo do valor normal para o período e que 8% quadruplicaram o valor médio.
Inverno 2025/26 entre os mais chuvosos
O inverno 2025/26 é, até 15 de fevereiro, o segundo mais chuvoso desde 2000 e o oitavo mais chuvoso desde que há registos.No total, já foram registados 615,9 mm, o que corresponde ao dobro do valor médio para esta estação.
O IPMA sublinha que a percentagem de precipitação superior a 200% do valor normal é particularmente expressiva nas regiões Centro e Sul, onde se inclui o Alentejo.
No período entre novembro de 2025 e 15 de fevereiro de 2026, o acumulado atingiu 819,2 mm, duplicando o valor médio. Todos os distritos apresentam totais acumulados acima da média 1991-2020 para o período novembro-fevereiro.
Solos em níveis de saturação
Os dados do IPMA indicam que, em fevereiro, todos os concelhos apresentam valores de água no solo em níveis de saturação. Em várias zonas do país, incluindo o Sul, os solos aproximam-se da capacidade máxima de retenção, situação associada ao aumento do risco de inundações e instabilidade do solo.
O documento refere ainda que, entre janeiro e 15 de fevereiro, 66% das estações registaram mais de 10 dias consecutivos com precipitação, havendo 12% com 25 ou mais dias seguidos de chuva.
Ano hidrológico com recuperação no distrito de Beja
No que respeita ao ano hidrológico 2025/2026, iniciado a 1 de outubro, o acumulado até 15 de fevereiro é de 905,6 mm, correspondendo a 1,8 vezes o valor médio do ano hidrológico.
Na Região Sul, o distrito de Beja, que vinha de um défice longo de precipitação nos últimos oito anos, apresenta agora uma recuperação, com valores ligeiramente acima do normal no período entre outubro e fevereiro.
Os dados integram o relatório da Divisão de Clima e Alterações Climáticas do IPMA, que monitoriza a evolução da precipitação e dos regimes atmosféricos em Portugal continental.















