O Alentejo registou excesso de mortalidade por todas as causas na semana de 22 a 28 de dezembro de 2025, num período marcado pelo aumento da atividade gripal e da circulação de outros vírus respiratórios, segundo o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
De acordo com o Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe e Outros Vírus Respiratórios, publicado pelo INSA, a região do Alentejo integrou o conjunto de áreas do país onde o número de óbitos ultrapassou os valores esperados, juntamente com as regiões Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo. O excesso de mortalidade foi observado sobretudo na população com 65 ou mais anos.
Gripe em fase epidémica
No mesmo período, o INSA refere que Portugal se encontrava em fase de atividade gripal epidémica, com aumento significativo da circulação do vírus influenza, maioritariamente do tipo A. Só na semana 52 de 2025 foram identificados mais de 1.200 casos positivos de gripe a nível nacional, mantendo-se uma tendência crescente.
O boletim do INSA destaca ainda que esta evolução ocorre num contexto de temperaturas inferiores ao normal. Na semana em análise, a temperatura mínima média do ar foi cerca de três graus abaixo dos valores de referência, um fator associado ao aumento da circulação de vírus respiratórios.
Casos graves e pressão hospitalar
Segundo o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a incidência de infeções respiratórias agudas graves manteve-se estável, mas com maior impacto nos grupos etários mais vulneráveis, nomeadamente crianças até aos quatro anos e adultos com 65 ou mais anos.
O relatório indica também a existência de internamentos por gripe em unidades de cuidados intensivos, envolvendo maioritariamente doentes com doença crónica subjacente. A maioria dos casos reportados dizia respeito a pessoas com recomendação para vacinação contra a gripe sazonal que não se encontravam vacinadas.
Aumento de infeções por vírus sincicial respiratório
Paralelamente à gripe, o INSA assinala uma tendência crescente nos internamentos por vírus sincicial respiratório em crianças com menos de dois anos. Uma parte significativa dos casos envolveu crianças com fatores de risco clínico, embora os valores se mantenham abaixo dos registados em algumas épocas anteriores.
Enquadramento nacional e europeu
O cenário identificado no Alentejo acompanha a evolução nacional e europeia da situação epidemiológica. O INSA sublinha que, em vários países da União Europeia, a circulação do vírus da gripe aumentou mais cedo do que em épocas anteriores, enquanto a circulação do SARS-CoV-2 apresenta uma tendência decrescente em todos os grupos etários.
O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge reforça que a vacinação continua a ser a principal medida de prevenção contra formas graves de gripe e outras infeções respiratórias, sobretudo junto das populações mais vulneráveis.















