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Alentejo estima «50 milhões de litros» de vinho acima do «normal», mas apoio à destilação não convence

Em julho, a Comissão Europeia anunciou que seriam entregues 15 milhões de euros num apoio extraordinário ao setor vitivinícola para a destilação temporária de vinhos em Portugal.

Mais tarde, o Governo português anunciava que iriam ser pagos 42 cêntimos aos produtores, por cada litro de vinho destilado.

Anúncio este que não convenceu Francisco Mateus, presidente Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), em declarações a’ODigital, que a ser «50 cêntimos já seria um preço considerado mais justo por parte dos produtores» e, «se calhar, até levaria mais pessoas a acorrerem a distribuição».

«O Governo devia ter tentado»

Isto porque, «Bruxelas atribuiu milhões de euros a Portugal com a permissão para que Portugal pudesse acrescentar duas vezes esse valor, ou seja 30 milhões. Acrescentou três milhões, 10%».

Acréscimo que apenas vai beneficiar a região do Douro [recebe 75 cents], já que o montante deriva do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto. «O Governo devia ter tentado fazer a mesma coisa para o resto do país», contestou, acrescentando que «tenho defendido que nestas situações de crise o preço deve ser a nível nacional».

«Uma destilação de crise deve ser impactante. Eu tenho defendido que o governo deveria ir o mais longe possível no dinheiro que atribui a esta medida», sublinhou ainda o presidente.

Francisco Mateus, em estimativa da CVRA, revelou que se prevê um stock de «50 milhões de litros de vinho», em termos de tinto, um valor que está «acima do que seria considerado normal».

Confessou que acredita que se esse montante «saísse dos armazéns, traria um equilíbrio para a oferta dos vinhos do Alentejo».

«Estamos a falar do valor do volume máximo, já que obviamente não vamos destilar esses litros, porque o valor anunciado não comporta isso, mas estou certo de que o Alentejo vai ter um volume substancial para atender a esta situação», adicionou.

«É lógico que é doloroso»

Ainda assim, numa «situação em que o objetivo é retirar vinho do sector para equilibrar os preços, para garantir que os produtores não perdem rendimento», o presidente compreendeu a «questão do preço».

«É lógico que é doloroso e que todos ficaríamos mais satisfeitos se houvesse um preço mais elevado, mas todos percebemos que estamos a falar de uma situação de crise, onde o vinho não é comprado ao produtor como se estivéssemos numa situação normal», atirou, dizendo ainda que, mesmo assim, o apoio «não se pode substituir a um mercado».

Desta forma, havendo casos onde «os custos de produção nem sequer são compensados pelo valor que foi anunciado», Francisco Mateus concordou que «temos de pensar de forma muito pragmática e racional».

«Temos de perceber que estes 42 cêntimos não são a melhor situação, mas é melhor 0,42 € em 2024 do que 0,42€ em 2025, sendo que à medida que o tempo vai passando, todos os custos que os produtores têm de suportar também vão crescendo, porque manter em armazém tem um preço», destacou.

Ainda que «a querer o melhor dos dois mundos», o líder da CVRA vincou que «se não se fizer uma intervenção com dimensão, este problema vai se arrastar», mesmo que a situação se arraste.

Armazéns cheios? Pode trazer «peso acrescido»

«Se o problema se arrastar, significa que nos próximos anos, ou conseguimos, por um qualquer passe de magia, vender a preço de mercado, provavelmente baixo, todo este vinho e o stock que está acumulado, ou procuramos ter estas medidas de crise para retirar, num espaço de tempo mais curto com o melhor preço possível, a maior quantidade de vinho para tentar equilibrar o mercado», esclareceu.

«No caso concreto do Alentejo, posso dizer que se tivermos uma campanha muito grande, mesmo que as previsões não apontem para que assim seja, podemos ficar com os armazéns cheios. Isso vai trazer também aqui uma um peso acrescido para os donos desse vinho», continuou ainda.

Como consequência, pode haver «pressão para baixar os preços», porém, esta redução pode revelar-se «péssima» com o «aumento dos custos de produção».

Francisco Mateus recordou que «é a quarta vez» que esta situação é aberta, desde 2019. Antes dessa data «não tinha havido essas situações e, a nível europeu, tinham sido abolidas».

Contudo, «houve, de facto, um conjunto de circunstâncias nos últimos anos que levou a que, na Europa, fosse entendido ser necessário abrir situações de crise», rematou.

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