O Alentejo registou mais de 8.900 hectares de área ardida entre 1 de janeiro e 15 de outubro de 2025, de acordo com o 8.º Relatório Provisório de Incêndios Rurais, do Instituto da Conservação da natureza e das Florestas (ICNF).
O documento foi divulgado pela Direção Nacional de Gestão do Programa de Fogos Rurais e tem por base dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
No mesmo período, a região contabilizou 733 incêndios rurais, distribuídos pelas sub-regiões do Alto Alentejo, Alentejo Central, Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.
Distribuição dos incêndios e da área ardida no Alentejo
O Alto Alentejo foi a sub-região mais afetada, com um total de 3.560 hectares de área ardida, resultantes de 216 incêndios rurais.
Segue-se o Alentejo Central, onde se registaram 212 ocorrências, que provocaram 2.759 hectares de área ardida, repartidos entre povoamentos, matos e áreas agrícolas.
No Baixo Alentejo, ocorreram 217 incêndios rurais, responsáveis por 2.585 hectares ardidos, valor próximo do registado no Alentejo Central.
O Alentejo Litoral apresentou os números mais baixos da região, com 88 incêndios e uma área ardida total de 196 hectares.
Incêndios de pequena dimensão predominam na região
À semelhança do que se verifica a nível nacional, a maioria dos incêndios ocorridos no Alentejo em 2025 teve uma área ardida inferior a um hectare.
Segundo o relatório, cerca de 84% dos incêndios rurais registados em Portugal continental enquadram-se nesta tipologia, embora os incêndios de maior dimensão sejam responsáveis pela maior parte da área ardida.
Até 15 de outubro, foram contabilizados em todo o país 96 grandes incêndios, considerados aqueles com área ardida igual ou superior a 100 hectares.
Causas dos incêndios: uso do fogo e incendiarismo em destaque
Dos incêndios investigados em 2025, o incendiarismo imputável surge como a causa mais frequente, representando 31% das ocorrências com causa apurada.
As queimadas extensivas e as queimas de sobrantes florestais ou agrícolas representam, em conjunto, cerca de 23% das causas identificadas.
Os reacendimentos corresponderam a 11% das causas apuradas, valor ligeiramente inferior à média registada na última década.
Agosto concentrou a maior severidade do ano
O mês de agosto foi o mais crítico de 2025, tanto em número de incêndios como em área ardida.
Nesse período, registaram-se 2.235 incêndios rurais em Portugal continental, com uma área ardida superior a 217 mil hectares, o que corresponde a cerca de 81% da área total ardida no ano.
As condições meteorológicas adversas, associadas a temperaturas elevadas, vento forte e baixa humidade relativa, contribuíram para a severidade dos incêndios registados.
Dados a nivel nacional
Entre 1 de janeiro e 15 de outubro de 2025, Portugal continental registou 8.235 incêndios rurais, que resultaram numa área ardida total de 269.085 hectares.
Comparativamente à média dos últimos dez anos, verificou-se uma redução de 29% no número de incêndios, mas um aumento de 119% na área ardida.
O ano de 2025 apresenta, assim, um dos valores mais elevados de área ardida desde 2015, apesar do menor número de ocorrências.
Os dados constantes do relatório são provisórios e poderão ser atualizados nos relatórios finais a divulgar pelo ICNF.















