A construção da Barragem do Pisão, no concelho de Crato, continua a marcar a vida de dezenas de habitantes que aguardam há décadas por uma decisão definitiva.
O presidente da Câmara do Crato, Joaquim Diogo, reconhece que a população local vive num impasse prolongado, sublinhando que “há aqui uma população que vive há 70 anos em suspenso”.
Relocalização entra em fase decisiva
O autarca admite que persistem dúvidas entre os residentes sobre o futuro, nomeadamente quanto ao calendário e às condições da mudança. Ainda assim, garante que o processo está a avançar com um plano definido.
“Até ao fim deste mês, vamos apresentar já os modelos, digamos, um estudo prévio da arquitetura das casas”, explicou, referindo que será dado a conhecer o primeiro desenho da nova aldeia.
Está também prevista uma visita à Aldeia da Luz, no Alqueva, com os habitantes, numa tentativa de aproximar a população de uma experiência semelhante de deslocalização.
Nova aldeia poderá avançar até ao final do ano
Segundo Joaquim Diogo, o objetivo é concluir ainda este ano todos os procedimentos técnicos e administrativos necessários para lançar o concurso da nova aldeia.
“A nossa expectativa é que até ao fim do ano consigamos ter de facto tudo aprovado em termos de projeto e possamos lançar concurso público para a construção da nova aldeia”, afirmou.
O calendário da relocalização acompanha o avanço da própria barragem, cuja execução já decorre no terreno.
Obras avançam, mas população continua à espera
Enquanto os trabalhos físicos da infraestrutura prosseguem, com novas fases como a terraplanagem prestes a arrancar, a realidade dos moradores mantém-se marcada pela incerteza acumulada ao longo de décadas.
“A obra neste momento está a decorrer também. Na próxima semana vamos ter terraplanagem já em obra”, disse o autarca, apontando para um prazo global de dois a três anos para conclusão.
Instabilidade das obras preocupa autarquia
Joaquim Diogo alertou ainda para os impactos negativos de eventuais interrupções, defendendo maior estabilidade em projetos considerados estruturantes.
“Quando existe um corte, existe a desmobilização de meios e depois voltá-los a agregar. É muito difícil nós voltarmos a juntar os recursos”, afirmou, sublinhando os riscos para o ritmo da obra.
Falta de mão de obra reconhecida, mas sem impacto imediato
O autarca reconheceu também a escassez de mão de obra qualificada, classificando-a como um problema estrutural a nível nacional e europeu, embora considere que não deverá comprometer o desenvolvimento da barragem.
“Sabemos que existe falta de mão de obra qualificada, mas é um problema geral”, disse, mostrando confiança na continuidade dos trabalhos.















